Ana Carolina Papp/Estadão
Ana Carolina Papp/Estadão

Forever 21 pode entrar com pedido de recuperação judicial nos EUA: há risco de falência?

Reportagem da agência 'Bloomberg' destaca que processo daria tempo para rede de moda jovem e baixo custo revisar sua estratégia de negócios e renegociar dívida de US$ 500 milhões

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 11h40

A rede de varejo Forever 21 estaria prestes a entrar com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. A informação consta em reportagem da agência de notíciais americana Bloomberg, publicada na quarta-feira, 28.

Os motivos, segundo a matéria, são as já conhecidas dificuldades enfrentadas pela empresa de moda jovem em sustentar a sua operação, que trabalha no vermelho há algum tempo, pressionada pelo avanço da concorrência online e por um modelo de negócios que inclui preços baixos e rápida expansão pelo mundo.

A matéria da Bloomberg afirma que os esforços recentes da companhia em reverter a tendência de queda de faturamento não foram bem sucedidos. Citando fontes que pediram anonimato, a matéria aponta que o processo de recuperação judicial ajudaria a empresa a "podar as lojas não lucrativas e recapitalizar o negócio como um todo". A empresa não teria respondido os pedidos de entrevista da agência.

 

Forever 21 falindo? Entenda a situação da rede

De uma forma geral, a agonia da Forever 21 vem sendo acompanhada de perto pelo mercado. Em todo o mundo, mas sobretudo nos EUA, a rede enfrenta severas dificuldades, motivados por seu modelo de negócios, centrado em roupas com baixo custo, e rápida expansão geográfica. A Forever alcançou mais de 800 lojas nos Estados Unidos, Europa, Ásia e America Latina. No Brasil, a marca chegou em junho de 2017, com uma unidade no Shopping Morumbi, em São Paulo.

O plano da empresa era se endividar para conseguir, rapidamente, aumentar o caixa e devolver o dinheiro aos credores. Reportagem de junho do Wall Street Journal afirma que a dívida da empresa soma mais de US$ 500 milhões e tem prazo de vencimento marcado para 2022.

Desde o primeiro semestre deste ano, a rede fundada em 1984 pelo su-coreano Do Won Chang divulgou que conversava com fundos de investimento em busca de recursos para cobrir esse rombo. Em fevereiro a empresa vendeu sua sede em Los Angeles por US$ 166 milhões e, segundo o Wall Street Journal, a meta da Forever 21 era levantar US$ 150 milhões adicionais no mercado. 

Sem sucesso, a situação teria se agravado ainda mais depois que Do Won Chang usou um empréstimo tomado junto ao banco JP Morgan Chase para pagar dívidas da empresa, ficando sem caixa para comprar novos produtos e abastecer sua lojas.

Para a Bloomberg, o pedido de recuperaçao judicial, que nos Estados Unidos é tratado como um capítulo dentro do processo de falência, pode dar à Forever 21 tempo para se concentrar nas lojas lucrativas da rede.

Críticos dizem que a empresa precisa também mudar seu modelo de baixo custo, com qualidade duvidosa. Há quem que diga que operações mais lucrativas pelo mundo, como a H&M e marcas unicamente virtuais oferecem produtos melhores, com alguns dólares a mais. 

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