Fornecedora da Petrobrás, Lupatech entra com pedido de recuperação judicial

Empresa do ramo de petróleo convocou assembleia para ratificar a decisão

Naiana Oscar, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2015 | 16h59

A Lupatech, maior fornecedora nacional de equipamentos e serviços para a Petrobrás, entrou nesta terça-feira, 26, com pedido de recuperação judicial na comarca de São Paulo depois de tentar, nos últimos dois anos, negociar com credores sem ter de recorrer à proteção da Justiça. Cerca de 85% do faturamento do grupo, que no passado foi de R$ 519 milhões, tem origem em contratos firmados com a estatal - envolvida em denúncias de corrupção que estão sendo investigadas pela Operação Lava Jato. 

Depois que o pedido se tornou público, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito em escala global da Lupatech, de CCC para D. No comunicado, a agência cita “tendências negativas para as companhias do setor de petróleo e gás no Brasil, devido à investigação de corrupção em andamento na companhia nacional de petróleo” e aos preços mais baixos da commodity.

Desde 2013, a Lupatech vem passando por um processo de reestruturação que evoluiu no início do ano passado para uma recuperação extrajudicial. Segundo o advogado da empresa, Paulo Campana, sócio do escritório Felsberg e Associados, esse procedimento foi adotado para renegociar uma dívida de US$ 300 milhões com detentores de títulos da empresa, os chamados bondholders.

“Eles converteram 85% desse valor em ações da companhia e o processo foi encerrado no ano passado”, disse. Ao longo dos últimos dois anos, o grupo reduziu seu endividamento total de R$ 1,6 bilhão para cerca de R$ 400 milhões. 

A reestruturação da companhia envolveu também a venda de ativos: entre 2014 e o início deste ano, a empresa reforçou o caixa com cerca de US$ 30 milhões resultantes dessas operações. O próximo passo seria buscar um investidor que colocasse dinheiro novo na empresa.

Os principais acionistas, entre eles o BNDES, a Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás) e a gestora de investimentos GP já foram diluídos. Hoje, depois da reestruturação da dívida, o BNDESPar tem 29,6% da Lupatech; o banco JP Morgan, 44,2%; Itaú, 8,7% e Banco Votorantim, 6,4%. 

Assembleia. No próximo dia 11, os acionistas devem confirmar numa assembleia a decisão de entrar com o pedido de recuperação judicial - medida que até o início desse ano vinha sendo evitada pela companhia. “Acontece que os preços do petróleo caíram muito e toda a questão envolvendo a Petrobrás acabou desequilibrando as contas da empresa novamente”, diz Campana. 

Na petição enviada à Justiça, a empresa ressaltou que “não possui nenhuma relação com as correntes denúncias que envolvem a Petrobrás, seus fornecedores e o poder público”. E destacou que, ainda assim, “esse contexto fez do Grupo Lupatech uma vítima”. 

A Lupatech foi criada pelo empresário gaúcho Nestor Perini em 1980. Depois de receber investimentos da GP, a companhia abriu o capital na Bolsa brasileira em 2006 e deu início a uma série de aquisições: foram 17 desde então. De lá para cá, a empresa se tornou a principal fornecedora da Petrobrás. 

Com o frenezi em torno do pré sal, a Lupatech chegou a ser avaliada em R$ 3 bilhões. Nesta terça-feira, a empresa valia apenas R$ 187,8 milhões. As ações fecharam cotadas a R$ 0,04.

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