Fornecimento de novo diesel ainda é dúvida no mercado, diz Anfavea

Segundo ANP, 1.200 postos manifestaram interesse em comercializar novo combustível, mas é preciso o dobro

Silvana Mautone, da Agência Estado,

30 de maio de 2011 | 17h37

A principal dúvida com relação à nova legislação de emissão de poluentes para caminhões e ônibus diz respeito ao abastecimento do novo diesel necessário para o bom funcionamento desses veículos. "Sem o combustível adequado, esses veículos terão seu desempenho afetado", afirmou Marco Saltini, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que participa nesta segunda-feira, 31, em São Paulo, do seminário "Diesel e Emissões em Debate". As novas leis sobre entram em vigor em janeiro de 2012 no Brasil.

Entre os problemas que os veículos podem apresentar é um aumento maior de emissões, elevação do consumo de combustível e danos à durabilidade. "A Petrobrás diz ter o volume de produção necessário para abastecer o mercado. A dúvida é com relação à distribuição nos postos em todo o Brasil, já que os caminhões transitam por todo o País", afirmou.

A partir de 1º de janeiro de 2012, todos os motores a diesel devem se enquadrar à nova legislação de emissão de poluentes, o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve P-7), instituído pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), equivalente ao Euro 5, que já vigora na Europa e em outros países. Ou seja, todos os caminhões e ônibus fabricados a partir de 2012 devem ser equipados com um motor menos poluente, que precisa de um diesel mais limpo para rodar, o chamado S-50 (50 partes por milhão de enxofre). Hoje, o diesel mais limpo comercializado no mercado é o S-500, ou seja, com um volume de enxofre dez vezes maior.

Além disso, os motores que adotarem a tecnologia SCR (Redução Catalítica Seletiva), que permite um melhor desempenho, precisam, além do diesel S-50, de um produto a base de ureia chamado Arla 32. Só que hoje o Brasil importa cerca de 70% do volume de ureia que consome para outras finalidades (a ureia ainda não é usada no Brasil no setor automotivo). "A Petrobrás deve passar a produzir o Arla 32 em Camaçari a partir de setembro, enquanto a Vale Fertilizantes deve iniciar a produção em outubro, na sua unidade no Paraná", disse Saltini.

Postos

Cerca de 1.200 postos de combustíveis já manifestaram o interesse de comercializar o novo diesel. "Mas precisamos o dobro disso", disse o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Allan Kardec, que participou nesta segunda-feira, 30, do seminário "Diesel e Emissões em Debate", promovido pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em São Paulo. Segundo ele, existem hoje no País cerca de 38 mil postos de combustíveis, dos quais 8 mil comercializam diesel.

Na opinião de Kardec, podem ocorrer problemas "eventuais" de abastecimento a partir do próximo ano, quando, atendendo a uma nova legislação ambiental (chamada de P-7 ou Euro 5), só poderão ser comercializados no Brasil caminhões e ônibus com os novos motores. Caso esses veículos não sejam abastecidos com um diesel específico, chamado S-50, que possui 50 partes por milhão de enxofre, eles podem apresentar com o tempo problemas de funcionamento. Hoje, o diesel mais limpo comercializado no mercado é o S-500, com um volume de enxofre dez vezes maior.

"Estamos conversando para garantir o fornecimento", disse Allan Kardec. "No Brasil, não podemos impor a ninguém a obrigação de vender o que quer que seja", disse. "Se verificarmos que os postos não querem vender, vamos conversar para entender o motivo." Muitos postos não têm interesse de investir no fornecimento do produto agora porque acreditam que a demanda inicial pelo novo diesel será pequena. Isso, porém, gera dificuldades para abastecimento desses novos veículos, principalmente dos caminhões, que trafegam grandes distâncias, já que a maior parte do transporte de carga no Brasil é realizada pelo modal rodoviário.

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