Fotógrafos reinventam a profissão na era digital

Fotógrafos reinventam a profissão na era digital

Em um mar de selfies, dois profissionais de São Paulo provam que ainda há espaço para a arte com tecnologia de ponta e sorrisos vendidos a R$ 1,99

Cley Scholz, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2014 | 19h29



SÃO PAULO - Com a popularização das câmeras digitais, profissionais da fotografia precisam buscar novos caminhos e reinventar a profissão. Enquanto as câmeras fotográficas ficam cada vez mais baratas e potentes, o mercado para profissionais fotográficos encolhe e as redes sociais são inundadas de selfies.

Para sobreviver, fotógrafos procuram saídas tanto pelo lado da tecnologia de impressão quanto na oferta de imagens em grande quantidade a preços baratos por meio do comércio eletrônico.

Apaixonado por fotografia desde os sete anos de idade, o empresário Edyr Sabino, de 57 anos, dono de uma empresa de comércio eletrônico de equipamentos médicos, resolveu mudar de ramo e entrar no mercado de fotografia, mesmo sabendo dos riscos da concorrência na chamada era da imagem.

Ele criou um personagem, em homenagem aos antigos fotógrafos que trabalhavam em praças públicas nos tempos em que as câmeras eram reservadas a poucos. Com uma dentadura postiça de brinquedo, ele arranca sorrisos das pessoas nas ruas e registra imagens que vende a R$ 1,99 em seu site, o lambelambe.com.

“O sorriso transforma as pessoas, mexe com os músculos da face e brota nos olhos”, filosofa. Na bolsa à tira colo e na câmera Nikon ele instalou letreiros eletrônicos que divulgam seu site. Entre uma foto e outra, distribui cartões e adesivos que informam aos potenciais clientes onde eles podem encontrar as fotos e encomendar ampliações.

“Meu sonho é montar uma empresa que empregue centenas de fotógrafos lambe-lambe caracterizados com a dentadura postiça para vender sorrisos a R$ 1,99”, diz Sabino, que tenta conseguir patrocinadores para o site que recebe em média 3 milhões de visitas por mês. Formado em física e engenharia biomédica e com doutorado em física médica na Inglaterra, o empresário tenta vender sua empresa, que fatura cerca de R$ 2 milhões anuais, para dedicar-se integralmente à profissão de lambe-lambe da era digital.


Arte. No extremo oposto do mercado, o fotógrafo Renatto de Souza, com experiência de três décadas em fotojornalismo, abriu na noite de quarta-feira, 24, uma loja especializada em fotografias ampliadas em grandes dimensões que vende por até R$ 5 mil.

A galeria, instalada no térreo do edifício Copan, ícone arquitetônico no centro de São Paulo, é especializada em fotos da cidade. As imagens são de prédios como Edifício Altino Arantes, antiga sede do Banespa, do próprio Copan e de outros pontos turísticos.

As fotos são impressas em papel fotográfico metálico da Kodak com base de poliéster e garantia de 200 anos, ou em papel de algodão que imita telas de pintura a óleo, metacrilato e padrão museu, em edições limitadas, numeradas e assinadas. As impressões são em 11 cores, com tinta mineralizada.

“A fotografia virou commodity, matéria prima disponível em larga escala nas redes sociais”, comenta o fotógrafo. “A saída que encontrei foi revalorizar as boas imagens com os mais sofisticados recursos tecnológicos, uma forma de destacar o valor artístico da fotografia, que ainda é capaz de encantar.”

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