França discute liberação estratégica de petróleo com EUA e UK

A França está em negociações com os Estados Unidos e a Grã-Bretanha sobre uma possível liberação de reservas estratégicas de petróleo para rebaixar os preços dos combustíveis, disseram ministros franceses nesta quarta-feira, quatro semanas antes das eleições presidenciais do país.

YANN LE GUERNIGOU E MURIEL BOSELLI, REUTERS

28 de março de 2012 | 13h55

No início de março, fontes britânicas disseram que Londres estava disposta a cooperar com Washington em uma liberação de reservas estratégicas que era esperada dentro de meses, em uma tentativa de evitar que os preços dos combustíveis sufocassem o crescimento econômico, no que é também um ano eleitoral nos EUA.

O ministro da Energia da França, Eric Besson, disse a jornalistas após a reunião semanal de ministros, que os Estados Unidos haviam pedido à França que se juntasse em uma possível liberação emergencial.

Essa liberação poderia acontecer "em questão de semanas", disse o jornal diário Le Monde nesta quarta-feira, citando fontes presidenciais.

"Os Estados Unidos que pediram e a França acolheu favoravelmente esta hipótese", disse Besson. Ele também disse que os países estavam aguardando conclusões da Agência Internacional de Energia (AIE), que coordena os lançamentos emergenciais de estoques em caso de severa interrupção da oferta do petróleo.

A ministra do orçamento francês e a porta-voz do governo, Valérie Pécresse, também disse a jornalistas que a França se juntou aos Estados Unidos e ao Reino Unido em consultas à AIE, para receber autorização para retirar estoques estratégicos.

Os preços do petróleo se tornaram uma grande dor de cabeça para políticos em todo o mundo, incluindo o presidente norte-americano, Barack Obama, que visa a reeleição em novembro e que enfrenta a indignação pública sobre o aumento dos preços da gasolina nos EUA.

Os preços dos combustíveis na França atingiram níveis recordes, estimulando um intenso debate entre os candidatos presidenciais antes da eleição nacional.

As liberações de reservas de petróleo são normalmente coordenadas pela AIE, que representa 28 países industrializados em política energética.

Mas a chefe da AIE, Maria van der Hoeven, disse em diversas ocasiões que uma liberação coordenada não se justifica, pois não há interrupção de oferta significativa nos mercados mundiais de petróleo. Alemanha e Itália dizem que se opõem.

Van der Hoeven disse no início deste mês que os países podem escolher unilateralmente liberar estoques, em consulta com a agência. A AIE não quis fazer mais comentários nesta quarta-feira.

A agência, sediada em Paris, autorizou apenas três lançamentos coordenados desde que foi fundada em 1974, com o último em junho de 2011, após a perda da produção líbia, durante sua guerra civil.

Agregadas, as interrupções de fornecimento global de petróleo estão operando em mais de um milhão de barris por dia, segundo constatou uma pesquisa da Reuters, ajudando a fornecer uma justificativa caso os EUA, Inglaterra e França decidam liberar reservas estratégicas. Perdas adicionais de oferta são esperadas, uma vez que as sanções sobre o Irã afetam suas exportações da commodity.

"O uso de reservas estratégicas pode ser justificado pois está relacionado à tensão geopolítica", disse uma fonte do gabinete presidencial, citada no jornal Le Monde.

Por volta das 12h55 (horário de Brasília), o contrato maio do petróleo perdia 2,20 dólares, ou 2,05 por cento, cotado a 105,13 dólares o barril. Enquanto isso, o Brent recuava 1,62 dólar, a 123,92 dólares o barril.

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