França e Alemanha disputam posto de economista-chefe do BCE

Segundo uma fonte, 'o posto de economista-chefe do BCE é de grande interesse para a Alemanha'

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

29 de novembro de 2011 | 14h21

A Alemanha tenta manter um dos mais influentes postos do Banco Central Europeu (BCE) em mãos alemãs, em um momento em que esse país e a França divergem abertamente sobre o papel da instituição.

Com o vice-ministro das Finanças alemão, Joerg Asmussen, apontado para suceder o alemão Juergen Stark no comitê executivo do BCE, o governo em Berlim concluiu que Asmussen também assumiria a posição de Stark como economista-chefe. A nomeação da França na semana passada do alto funcionário do Tesouro Benoit Coeure para suceder o italiano Lorenzo Bini Smaghi no comitê do BCE deu a Asmussen um concorrente bastante qualificado, elevando os temores em Berlim de que as políticas do BCE possam estar mais inclinadas a se curvar ante a interferência de governos.

Paris agora pressiona para que Coeure se torne o economista-chefe do BCE, torpedeando os interesses alemães, informou o jornal Handelsblatt nesta terça-feira, citando fontes do Banco Central e do governo.

A presidência francesa e o Ministério das Finanças não tinham comentários sobre o tema, mas a Alemanha deixou clara sua posição. "O posto de economista-chefe do BCE é de grande interesse para a Alemanha", afirmou uma fonte do governo alemão à Dow Jones.

A fonte alemã acrescentou que Asmussen, aliado de longo prazo da chanceler alemã, Angela Merkel, é uma garantia para uma "cultura de estabilidade" para o comitê do BCE, e Berlim também não sabe se Coeure tem as credenciais para o posto. Educado em escolas de elite, Coeure pode estar muito à esquerda, preocupando os alemães, temerosos de que ele possa ceder à pressão francesa por mais interferência estatal em assuntos do BCE.

A França e a Alemanha divergiram recentemente sobre a melhor estratégia do BCE para conter a crise da dívida na zona do euro. Paris defende que o BCE compre bônus em uma escala maior, como o Federal Reserve dos EUA tem feito, enquanto Berlim defende um papel mais restrito para o banco, o de monitorar a estabilidade dos preços.

Oficialmente, o comitê de seis membros do BCE toma suas próprias decisões, e o presidente do banco, Mario Draghi, tem a palavra final. O BCE não quis comentar o assunto. As informações são da Dow Jones. 

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