França pode injetar US$7,8 bi no setor automotivo

A França pode injetar até 6 bilhões de euros (7,79 bilhões de dólares) como ajuda ao debilitado setor automotivo do país, mas o primeiro-ministro Francois Fillon advertiu na terça-feira que as montadoras terão que, em troca, preservar postos de emprego. O diretor da segunda maior montadora da Europa, a PSA Peugeot Citroen, disse a um jornal que o governo não deveria assumir o lugar da administração da companhia e dos investidores. Os ministérios do governo francês, o membro da Comissão Européia, Guenter Verheugen, e representantes do setor automotivo francês, que emprega quase 10 por cento da força de trabalho do país, reuniram-se nesta terça-feira para discutir o que pode ser feito para ajudar os manufatureiros a sobreviver com a queda disseminada das vendas. Fillon afirmou que o governo francês estava considerando disponibilizar de 5 a 6 bilhões de euros para o setor. As medidas serão anunciadas nos próximos dias, disse ele. O presidente-executivo da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, pedindo acesso a crédito com taxas razoáveis e mais recursos da União Européia para pesquisa sobre tecnologias verdes, afirmou que a crise pode não ter curta duração e advertiu que os anos de 2009 e 2010 serão decisivos para o futuro das montadoras. Prometendo um financiamento maciço e rápido para enfrentar o estado de "emergência" que enfrenta, Fillon reiterou que o governo não abandonaria o setor, mas advertiu que a ajuda não virá sem condições. O governo francês já insistiu que as montadoras preservem postos de emprego. "Não há discussão de que o governo deva fornecer ajuda para uma companhia que decida simplesmente fechar um ou mais postos na França", disse Fillon na terça-feira. Com os bancos não emprestando recursos com taxas normais às montadoras, Fillon recorreu à Comissão Européia para que ela aprove um pacote de ajuda rapidamente, à medida que Verheugen enfatizou a necessidade de se assegurar que as medidas dos Estados Unidos para o seu próprio setor automotivo sigam as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Verheugen, que concordou que a intervenção do setor público é "indispensável", acrescentou que ninguém sabe se o pior da crise financeira já passou, ou se ainda há mais por vir. Ele disse que a Comissão Européia vai monitorar atentamente o desenrolar da situação do setor automotivo dos Estados Unidos, onde o governo concordou em ajudar as três grandes e debilitadas montadoras de Detroit. Verheugen ainda afirmou que a comissão gostaria de assegurar que as medidas norte-americanas sejam compatíveis com as regras da OMC e não prejudiquem as companhias européias.

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