Frango: exportação pode estabilizar em 2005, diz especialista

Descalvado, 26 - A exportação brasileira de carne de frango, que deve alcançar 2,4 milhões de t este ano, pode estabilizar no próximo ano, de acordo com presidente da Consultoria Global Poultry Strategies, Gordon Butland, um dos maiores especialista do setor no mundo. De acordo com ele, a euforia deste ano, com aumento de 25% no volume exportado, não deve ser repetir em 2005 em virtude da "falta de 'desgraças' no setor avícola mundial". Butland citou o problema da influenza aviária na Tailândia, no início deste ano, como principal fator para aumento da exportação brasileira, o que, na opinião dele, deve estar resolvido no início de 2005. No entanto, de acordo com o consultor, alguns fatores, como o aumento da ação de empresas brasileiras no exterior e o retorno da Tailândia ao mercado como exportador de aves, podem influenciar no aumento ou na redução das exportações de frango pelo Brasil. "Se a Tailândia voltar ao mercado no segundo semestre de 2005, por exemplo, a concorrência com a carne brasileira voltará", explicou o especialista. Em sua palestra no 8º Encontro Técnico da Avicultura Paulista, que ocorre em Descalvado, Butland deixou claro que o Brasil, para assumir o primeiro lugar nas exportações do produto, vai ter de enfrentar represálias comerciais de países concorrentes. "Na minha opinião, não se bate em criança; e se estão batendo nos brasileiros é porque não são mais crianças", comparou. O consultor criticou, ainda, a falta de infra-estrutura em sanidade animal tanto por parte do governo federal como por parte dos avicultores. "Só para efeito de comparação, a Tailândia perdeu US$ 900 milhões com os casos de gripe aviária e o governo brasileiro está destinando um terço desse valor para todo o controle fitossanitário no ano que vem", afirmou. "Ao mesmo tempo, os produtores da Região Sul do Brasil têm literalmente uma cultura de fundo de quintal com suas casas muito próximas aos aviários e isso é um fator de propagação de casos de influenza", completou. Por fim, o especialista lembrou que o País no setor avícola, assim como em outras atividades do agronegócio, é o único que tem capacidade de ampliar a produção em grandes proporções e em valores cada vez mais competitivos em relação ao mundo.

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