Frango: exportações crescem 71,5% de janeiro a setembro

São Paulo, 14 - As exportações brasileiras de carne de frango somaram 1,8 milhão de toneladas de janeiro a setembro, alta de 43% sobre período equivalente de 2003. Em receita cambial, as exportações resultaram em US$ 1,917 bilhão, aumento de 71,5% sobre 2003. As informações foram divulgadas pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (ABEF). Nos últimos 12 meses (outubro de 2003 a setembro de 2004), as exportações atingiram 2.269.673 toneladas, gerando receita de US$ 2,319 bilhões. Em volume, houve aumento de 18% sobre todo o ano de 2003, e em receita, alta de 35% na mesma comparação. Esse desempenho põe o Brasil em primeiro lugar como exportador de frango, tanto pelo critério da receita quanto pelo de volume. Em setembro, as exportações de frango atingiram 210 mil toneladas, alta de 10,84% sobre setembro de 2003. Em receita cambial, as exportações renderam US$ 203,8 milhões, alta de 10,50%. As exportações Brasileiras de cortes de frango somaram 1,064 milhão de toneladas de janeiro a setembro, gerando receita cambial de US$ 1,257 bilhão. Na comparação com os primeiros nove meses de 2003, o volume cresceu 42,51%, e a receita aumentou 83,09%. Já as exportações de frango inteiro atingiram 714 mil toneladas de janeiro a setembro, com receita cambial de US$ 589 milhões. Na comparação com igual período de 2003, houve aumento de 44,37% em volume e de 61,11% em receita cambial. Dados da Abef mostram que a receita cambial cresceu mais do que os embarques porque o preço médio da carne de frango subiu, tanto para cortes quanto para o inteiro. No caso dos cortes, o preço médio da tonelada nos primeiros nove meses de 2004 foi de US$ 1.182,00 por tonelada, alta de 28,47% sobre 2003. No caso do inteiro, o preço médio foi de US$ 825,00 por tonelada, alta de 11,60%. O preço médio ponderado das exportações foi calculado em US$ 1.059 por tonelada de janeiro a setembro, alta de 20,26% sobre igual período de 2003. As barreiras impostas pela Rússia à entrada de carne brasileira devem ter impacto relativamente pequeno no resultado final das exportações de frango. A avaliação é de Cláudio Martins, diretor-executivo da Abef. Segundo Martins, a entidade trabalha com a projeção de que as exportações fecharão 2004 com receita cambial e volume equivalente aos obtidos nos últimos 12 meses. Desde 20 de setembro, a Rússia proibiu a entrada da carne brasileira, usando como justificativa a localização de um foco de febre aftosa no Amazonas. Os técnicos russos alegaram que a aftosa poderia ser transferida para a carne frango por contato mecânico, explicação técnica pouco verossímil. Moscou, entretanto, permitiu que a carne de frango já certificada para embarque antes de 20 de setembro fosse enviada para o país. Segundo Martins, o desempenho do Brasil no mercado russo já está muito além das expectativas. No início do ano, a Rússia impôs um regime de quotas e definiu que o Brasil só poderia disputar por ano volume de 68 mil toneladas junto com outros exportadores colocados na rubrica "outros países". "Para nossa sorte, foi selado acordo em fevereiro em que se permitiu que quotas não cumpridas por um país exportador fossem leiloadas junto a 'outros países'", disse Martins. "Quando surgiram focos de influenza aviária pelo mundo, o Brasil conseguiu encampar um bom volume de quotas que foram a leilão." De janeiro a setembro, o Brasil enviou à Rússia 161 mil toneladas de carne de frango. A expectativa da Abef é de que as exportações para aquele destino fechem 2004 somando 180 mil toneladas. Segundo Martins, a ABEF solicitou ao governo brasileiro que comece a negociar desde já uma alteração no regime de quotas para 2005. Moscou deve definir o regime até o fim do mês.

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