Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Fraude da Volkswagen chega ao Brasil e Amarok terá recall

Montadora convocará 17 mil picapes no País que têm software que pode burlar resultados em testes de emissão de poluente

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2015 | 21h48

SÃO PAULO - A Volkswagen do Brasil fará recall para 17.057 unidades da picape Amarok movidas a diesel que estão equipadas com o software que pode fraudar resultados em testes de emissões de poluentes. Os modelos envolvidos são as versões 2011 e parte das versões 2012.

A convocação ocorrerá no primeiro trimestre de 2016 porque a matriz do grupo ainda está desenvolvendo a atualização do software que será aplicada em todos os modelos afetados pelo problema. Calcula-se que 11 milhões de veículos em todo o mundo são equipados com o sistema que burla testes.

O escândalo foi revelado no mês passado nos Estados Unidos e colocou a Volkswagen em situação complicada. O então presidente mundial da companhia, Martin Winterkorn, foi afastado do comando do grupo, que caminhava para ser o maior produtor global de veículos, meta estabelecida para 2018.

A Volkswagen também teve de reservar 6,5 bilhões de euros para custos com recall. Só na Europa estão envolvidos 8,5 milhões de veículos. Além disso, a empresa anunciou que reduzirá seu volume de investimentos em 1 bilhão de euros ao ano. No Brasil, o presidente da montadora, David Powels, afirmou que o aporte de R$ 10 bilhões previsto até 2018 será mantido.

Em nota divulgada nesta quarta, a Volkswagen brasileira confirmou que as 17.057 unidades da Amarok – que é produzida na Argentina – "estão equipadas com um software da unidade de comando do motor que pode otimizar os resultados de emissões de NOx (óxidos de nitrogênio) durante os ensaios de emissão medidos em laboratório."

Também disse que a matriz está investigando a influência desse software no atendimento dos limites de emissões no País. Informou ainda que "tecnicamente, a aplicação desse software não afeta a segurança nem a funcionalidade do veículo."

Segundo a empresa, parte dos modelos 2012 e todos os modelos a partir de 2013 não utilizam o software "que pode otimizar os valores de NOx durante os testes de emissões."

Todos os demais produtos da marca oferecidos no mercado brasileiro, equipados com motorização a gasolina ou flex estão de acordo com os níveis da legislação de emissões, informa a empresa.

As normas brasileiras estabelecem que, para veículos leves a diesel com até 1.700 kg, o limite para NOx é de 0,08 g/km; acima desse peso (caso da Amarok) é de 0,06 g/km.

Na nota distribuída nesta quarta a Volkswagen não cita a palavra recall (feito quando o defeito no carro envolve a segurança de passageiros e terceiros), mas informa que enviará cartas aos proprietários dos veículos afetados para comparecerem às revendas da marca.

Notificações. A Volkswagen foi notificada no mês passado a dar explicações sobre o envolvimento de carros vendidos no País com o software fraudado pelo Ibama, pelo Procon-SP e pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC).

O Ibama informou que a Volkswagen se comprometeu em responder à notificação do órgão na quinta-feira. Procon e DPDC não informaram se já foram procurados pela empresa para dar as explicações solicitadas.

A conta pelo escândalo pode superar em muito os valores que a empresa alocou até agora para cobrir seus custos, principalmente se as vendas da marca despencarem na Europa, onde é líder em vários mercados. 

O presidente mundial da Volkswagen, Matthias Mueller, disse a jornalistas na Alemanha que os 6,5 bilhões euros se aplicam apenas para o recall. "Só posso especular sobre qualquer provisão adicional. Se houver uma mudança nos volumes de vendas, nós devemos agir rapidamente."/ COM INFORMAÇÕES DA REUTERS

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