‘FT’ destaca aquecimento do mercado de luxo e risco de bolha no Brasil

Em reportagem de capa, jornal britânico diz que a Ferretti, fabricante italiana de iates, está se voltando aos super-ricos brasileiros, já que as tradicionais vendas no Mediterrâneo despencam 

Daniela Milanese, da Agência Estado,

20 de junho de 2011 | 10h42

O risco de bolha de crédito e o aquecimento do mercado de luxo no Brasil ganham destaque nesta segunda-feira, 20, no Financial Times. Em reportagem de capa, o jornal britânico diz que a Ferretti, fabricante italiana de iates, está se voltando aos super-ricos brasileiros, já que as vendas aos clientes tradicionais do Mediterrâneo despencam.

Segundo o FT, o Brasil está se tornando um dos principais destinos de investimentos da indústria de iates em razão do aumento dos salários, de sua extensa costa litorânea e do clima quente. No ano passado, presidentes e diretores de empresas ganharam mais em São Paulo do que em Londres ou Nova York.

A receita da Ferreti triplicou no Brasil nos últimos três anos. Em contrapartida, as vendas na região do Mediterrâneo estão em apenas um terço do que eram antes da crise financeira global. Na Grécia, o faturamento caiu de entre 30 milhões de euros e 40 milhões de euros por ano para perto de zero. Os barcos da Ferreti custam entre 300 mil euros e 80 milhões de euros.

Assim como o mercado de luxo, o crédito no Brasil também está aquecido. O Financial Times aponta que a inadimplência deve subir em um terço neste ano, alimentando o risco de estouro do boom. O volume de empréstimos em atraso de 90 dias cresceu rapidamente nos últimos meses, para 6,1%, e deve atingir 8% até o fim do ano, conforme Ricardo Loureiro, presidente da Experian Latin America.

A alta deve-se à falta de educação financeira entre os novos consumidores e à ausência de melhores informações sobre o histórico de pagamentos dos clientes.

Segundo o FT, a inadimplência no Brasil ainda permanece abaixo da média histórica de 10%, entretanto é a mais elevada entre a maior parte dos emergentes. "Os bancos brasileiros estimam crescimento de dois dígitos do crédito neste ano, apesar de cobrarem um juro médio anual de 39%", diz o jornal.

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