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Funcef revê política de investimento e pode realocar R$ 2 bilhões

Fundo de pensão de funcionários da Caixa deve mudar estratégia de investimentos de recursos que seriam alocados no exterior e em fundos de investimento imobiliários 

Bruno Villas Bôas e Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2021 | 17h09

RIO - A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa, iniciou um processo de revisão de sua política de investimentos de 2021 e pode mudar o destino de quase R$ 2 bilhões inicialmente previstos para serem alocados no exterior e em fundos de investimento imobiliários. A informação é do presidente da entidade, Gilson Santana, que assumiu o cargo há pouco mais de um mês.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Santana explica que a política de investimento, aprovada em 2020, reservou o valor de R$ 1,2 bilhão para ser alocado neste ano em ativos no exterior. O montante corresponde a 1,5% do patrimônio da entidade. Porém, processos internos de normatização ainda estão em curso e a etapa de seleção de gestores, responsáveis pela escolha dos ativos, não foi iniciada.

“Salvo alguma mudança de oportunidade e conseguirmos vencer as questões internas, é pouco provável que a gente consiga fazer alocação nessa monta que está prevista [no exterior]. Isso deve gerar uma revisão da política de investimento, que precisa alocar [os recursos] em outro tipo de ativo com a rentabilidade esperada, acima da meta atuarial para o período”, disse o presidente da Funcef.

Outros R$ 700 milhões em revisão estão hoje reservados para fundos imobiliários. Neste caso, os recursos não foram aplicados por motivos de “mercado e de rentabilidade”. Dado o peso de suas movimentações, a Funcef ingressa em fundo imobiliário no momento da oferta, em vez de no mercado secundário. E as boas ofertas surgidas teriam tido foco nas pessoas físicas e esgotado rapidamente.

“Estamos no meio do caminho, na metade do ano, e temos ainda dois grandes itens no nosso pipeline que não foram executados em nada”, disse Santana, que prevê a conclusão da revisão da política de investimentos até setembro, após passar por comitês técnicos.

O destino dos quase R$ 2 bilhões em revisão ainda é incerto. Uma possibilidade ventilada é a safra de IPO prevista para os próximos meses. O novo diretor de investimentos da entidade, Samuel Crespi, diz que pode participar de IPOs neste segundo semestre, mas com tíquetes pequenos, sem detalhar valores. “Temos interesses nos próximos IPOs, entramos nos últimos, mas ver se podemos aumentar as fatias destinadas aos IPOs depende de estudos”, disse Crespi.

Antes de assumir a Funcef, Santana era vice-presidente de Riscos da Caixa. Empregado do banco desde 2007, tinha atuado anteriormente como gerente de Previdência na Funcef. Ele assumiu o posto no lugar do então diretor-presidente, Renato Villela, que teria desagradado o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, em decisões de investimentos. Oficialmente, a substituição é tratada como algo natural.

No primeiro trimestre deste ano, a Funcef registrou superávit de R$ 1,82 bilhão no consolidado de seus planos. A rentabilidade acumulada no período foi recorde, de 5,75%, superior à meta atuarial de rentabilidade (3,09%). Os ativos administrados chegaram a R$ 83,9 bilhões em março, segundo dados recentemente divulgados. O bom desempenho foi impulsionado pela valorização das ações da Vale. A Funcef tem atualmente uma posição de R$ 13 bilhões na mineradora.

Santana lembra que a valorização dos papéis da Vale, ao longo do tempo, desenquadrou a Funcef numa resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que diz que os fundos podem alocar até 10% em ativos do mesmo emissor. A Funcef tem dois anos para realizar o reenquadramento, com a venda, aos poucos, dos papéis da mineradora. Para ele, a redução da exposição é também uma forma de reduzir riscos.

“Precisamos nos enquadrar, mas também reduzir a exposição, que está concentrada num plano maduro [em fase de pagamentos de benefícios], que é o Reg/Replan. Precisamos ter uma gestão desse plano aderente ao perfil do passivo desse plano. Mas não temos pressa para fazer esse movimento, ninguém pressionando, nem regulatório. Essa é a estratégia macro da fundação”, acrescentou Santana.

Apesar do superávit no primeiro trimestre, o plano Reg/Replan, principal plano de aposentadoria da Funcef, ainda apresenta um déficit técnico acumulado de R$ 19 bilhões. Esse é o valor que falta para o plano conseguir pagar todos os benefícios previstos até o último participante sobrevivente. Esse déficit, porém, está equacionado, com contribuições extras dos associados e do patrocinador (Caixa).

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