Funcionários do Comperj são baleados em protesto em Itaboraí

Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho e reajuste salarial de 15%

Idiana Tomazelli, da Agência Estado, Atualizado às 20h06

06 de fevereiro de 2014 | 09h52

RIO  - Uma divisão entre sindicalistas e trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) é uma das causas dos protestos realizados no últimos dois dias nas obras em Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Por conta deste racha, a Polícia investiga se o conflito que deixou dois operários feridos a bala na manhã desta quinta-feira, 6, foi uma retaliação ao incêndio de um carro da última quarta-feira.

Uma caminhonete Volkswagen do tipo Amarok, de propriedade do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção  Civil e Pesada, Montagem e Manutenção (Sinticom) da região, foi incendiada no protesto, na BR-116. Os operários foram baleados na madrugada desta quinta.

Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho e reajuste salarial de 15%. Alguns funcionários não recebem desde dezembro. Parte também reclama não se sentir representada pelo sindicato. Segundo os funcionários, cerca de dez mil pessoas teriam participado da manifestação. A Polícia não estimou um número.

O delegado assistente da 71ª Delegacia de Polícia Pablo Valentim, que acompanhará o caso, disse que os tiros que atingiram dois trabalhadores podem ter sido uma retaliação ao incêndio da caminhonete. "O fato é que houve tentativa de homicídio", disse.

A polícia investiga se a possível retaliação partiu de seguranças do sindicato ou de representantes das empresas. Uma terceira hipótese seria ação do tráfico, já que a região onde aconteceu o tiroteio, chamado de Trevo da Reta, no acesso ao Comperj, é conhecido pela comercialização de drogas.

O delegado e testemunhas relataram que dois homens se aproximaram, em uma moto Honda XRE verde, dos manifestantes e perguntaram se os presentes eram "do movimento", atirando em seguida, sem esperar resposta.

Felipe Feitosa, de 21 anos, e Françiuélio Rodrigues, de 20 anos, deram entrada na emergência do Hospital Municipal Desembargador Leal Junior, em Itaboraí, às 5h30h desta quinta-feira. Felipe levou três tiros, sendo atingido no abdômen, na coxa direita e na mão direita, segundo a assessoria do hospital. Françiuélio levou um tiro na mão direita e tornozelo direito.

Um terceiro funcionário, Marcos Barbosa da Cunha, montador de andaime no Comperj, denunciou ameaça de morte ontem de tarde. Cunha é crítico à postura do sindicato e apresentou uma gravação à polícia. Segundo o operário, a ameaça teria sido feita pelo chefe da segurança do sindicato, que seria policial militar, e por mais dois homens. "Se você mudar de atitude o sindicato vai te abraçar, mas se não tiver, sai da reta", disse a voz na gravação, em que a vítima diz ser do chefe da segurança do sindicato.

A polícia ainda vai apurar a denúncia. Segundo o delegado, o sindicato e as empresas dos consórcios serão intimados a depor. A Petrobrás a princípio não será intimada.

Um novo protesto é esperado para a manhã desta sexta-feira, 07. O 35º Batalhão da Polícia Militar já foi avisada e deve acompanhar a movimentação.

(Colaborou Sabrina Valle)

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