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Fundador e ex-presidente da antiga Hypermarcas negociam delação

Conversas para que João Queiroz, dono da gigante de medicamentos, e seu ex-principal executivo, Claudio Bergamo, possam fazer colaboração premiada ganharam força nas últimas semanas; empresa também avalia acordo de leniência

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2018 | 04h00

O empresário João Alves Queiroz Filho, fundador da Hypera Pharma (antiga Hypermarcas), e Claudio Bergamo, ex-presidente da companhia, estão em conversas para tentar fazer delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR), segundo três fontes a par do assunto. Em outra frente, o grupo também discute um acordo de leniência, conforme antecipou o ‘Estado’ em abril. 

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Queiroz e Bergamo se afastaram da empresa no fim de abril. Os dois foram alvos de busca e apreensão na operação Tira-Teima, deflagrada pela Polícia Federal no dia 10 do mesmo mês.

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Há uma expectativa de que as conversas para possíveis delação e leniência tenham desfecho nos próximos dias. O órgão está confrontando informações do fundador e do seu principal executivo com as delações já públicas para fechar ou não um acordo. 

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Criada para ser uma Unilever brasileira, a Hypera teve o nome envolvido, pela primeira vez, na Operação Lava Jato em junho de 2015, após o Estado revelar trechos do acordo de colaboração do ex-diretor de relações institucionais do grupo, Nelson Mello. Segundo depoimento do ex-diretor, a empresa teria repassado cerca de R$ 30 milhões para parlamentares do MDB por meio dos operadores Lúcio Funaro e Milton Lyra.

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Os repasses teriam como finalidade garantir a atuação desses políticos em temas de interesses da empresa no Congresso. Na delação de Mello, a iniciativa e toda a responsabilidade sobre os pagamentos ilícitos eram dele e a empresa não tinha conhecimento das transações. 

Ocorre que a delação de Mello tem risco de ser anulada porque o ex-executivo teria omitido informações para poupar Queiroz e Bergamo. Fontes a par do assunto afirmaram que fundador e ex-presidente do grupo estariam dispostos a detalhar pagamentos feitos aos parlamentares que ajudaram a abrir as portas da Hypera em Brasília, sobretudo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e também facilitaram a concessão de benefícios tributários em Goiás, sede da empresa. 

Em abril, o advogado Celso Vilardi foi contratado para defender a Hypera. O criminalista já conduziu acordos de importantes empreiteiras, como a Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. O advogado José Luís Oliveira Lima, do escritório Oliveira Lima, Hungria, Dall’Acqua & Furrier Advogados, representa o fundador da companhia. Bergamo é defendido por Sérgio Rosenthal, da Rosenthal Advogados Associados. 

Procurados, Vilardi, Oliveira, Rosenthal, Hypera e a PGR não comentam o assunto. A defesa de Funaro também não quis se pronunciar. Já a de Lyra informou que seu cliente prestou todos esclarecimentos à Justiça. O escritório de Mello não retornou os pedidos de entrevista.

Enxuta. Criada para ser uma gigante de bens de consumo nacional, a empresa foi se desfazendo, nos últimos anos, de seus negócios de higiene e beleza (chegou a ser dona das marcas Monange, Perfex e Assolan) e de ativos de alimentos (como a Etti e Salsaretti) para se concentrar em medicamentos. No ano passado, registrou receita de R$ 3,6 bilhões. 

Em 2015, a Hypera se tornou vice-líder em medicamentos no País, após pesadas aquisições – entre elas a da Neo Química –, desbancando as multinacionais.

Para lembrar. A Hypera Pharma anunciou no dia 26 de abril o afastamento de Claudio Bergamo, então presidente da companhia, e de seu principal acionista e fundador, João Alves de Queiroz Filho, o Junior. Para substituí-los, foram indicados dois executivos de carreira do grupo: Breno de Oliveira, diretor financeiro, que assumiu o lugar de Bergamo, e Luiz Violland, que ficou à frente da presidência de administração da empresa, posição até então ocupada pelo dono da empresa.

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