Rafael Arbex|Estadão
Rafael Arbex|Estadão

Fundo Advent compra o controle do Grupo Fortbras

Aquisição é o 1º investimento da gestora americana no mercado de reposição de autopeças no Brasil; empresa é uma das líderes do setor

Cátia Luz, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2016 | 05h00

Depois de mapear por dois anos o pulverizado mercado brasileiro de reposição de autopeças, avaliado em R$ 35 bilhões, o fundo americano Advent fechou a compra do controle da Fortbras, uma das líderes do setor no País. Os detalhes e o valor da operação não foram revelados.

Fundada em 1992, por um grupo de amigos na cidade de Serafina Correa, no interior do Rio Grande do Sul, a Fortbras tem hoje 18 centros de distribuição, em 17 cidades, e faturou R$ 500 milhões nos últimos 12 meses. O grupo é formado por cinco companhias – Javali, Pegasus, T-Brasli, Soma e Total – que atuam em diferentes regiões do País, com destaque para Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul (Campo Grande) e Minas Gerais (Belo Horizonte).

Para tocar a operação, com o apoio dos atuais gestores do grupo, a Advent chamou Roberto Szachnowicz, ex-presidente do Grupo DPaschoal, empresa especializada na prestação de serviços automotivos.

“Há espaço para companhias maiores e mais estruturadas nesse mercado”, afirma o executivo. “O objetivo é desenvolver o setor de distribuição e varejo de autopeças no País.”

Segundo Szachnowicz , o mercado brasileiro é bastante fragmentado e há grande potencial para crescimento, tanto de forma orgânica quanto por meio de aquisições seletivas.

De acordo com dados da consultoria Roland Berger, as dez maiores empresas desse segmento respondem apenas por 25% do mercado. “Há muito espaço para a consolidação”, afirma Rodrigo Custodio, diretor da Roland Berger. No ano passado, o Grupo Comolatti, dono da marca Sama e líder do setor, adquiriu a Pellegrino, vice-líder do segmento.

Resiliência. Para Wilson Rosa, diretor da Advent, além do fato de a frota brasileira ter crescido significativamente nos últimos anos, pesa a favor desse mercado a resiliência nos momentos de crise. “Em 2008, por exemplo, quando a economia do Estados Unidos despencou, os três maiores players desse segmento no mercado americano registraram queda de apenas 2% no faturamento”, explica Rosa.

Segundo ele, no caso da Fortbras, apesar do ambiente macroeconômico pouco favorável, a empresa dobrou o faturamento nos últimos cinco anos e é uma das que mais crescem no setor.

A resistência à crise também é vista no mercado de revenda. Enquanto as vendas de carros novos devem cair 20% este ano, as de carros usados devem permanecer estáveis, em 9,9 milhões de unidades, segundo Custodio, da Roland Berger.

De acordo com o diretor da consultoria, o fato de o Brasil ser muito dependente de veículos adiciona relevância para esse setor. “São 40 milhões de veículos rodando no País, tanto em função do transporte público ineficiente quanto em razão da presença dos caminhões no transporte de carga”, explica.

Custodio reforça o potencial de crescimento do segmento, porque, segundo ele, há espaço de expansão da frota e também do valor gasto na reposição de peças.

Enquanto o Brasil tem, em média, 2 carros para cada 10 habitantes, essa proporção é, por exemplo, de 6 para 10 na Alemanha e de 8 para 10 nos Estados Unidos. Quanto ao valor anual desembolsado com a reposição de peças, no Brasil é de R$ 300, contra R$ 400 na China e R$ 800 em países desenvolvidos.

América Latina. A compra da Fortbras foi feita pela empresa Gotemburgo, criada pela Advent especificamente para investir em oportunidades de negócios no mercado brasileiro de reposição de autopeças.

A aquisição foi feita com recursos do fundo da Advent de US$ 2,1 bilhões dedicado exclusivamente para negócios na América Latina. É o segundo investimento desse fundo da gestora no Brasil – o primeiro foi a compra de 13% do capital do laboratório Fleury, feita no ano passado.

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