Fundo da UE aumentará para € 1 tri, dizem parlamentares alemães

Valor anterior da EFSF era de € 440 bilhões; líderes da zona do euro esperam que fundo consiga proteger países como Itália e Espanha de serem engolidos pela crise

Danielle Chaves, da Agência Estado,

24 de outubro de 2011 | 14h02

O fundo de resgate da zona do euro, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), deverá ter seu poder de fogo ampliado para 1 trilhão de euros (US$ 1,39 trilhão), afirmaram líderes da oposição na Alemanha em seguida a uma reunião com a chanceler Angela Merkel.

Frank-Walter Steinmeier, líder parlamentar do oposicionista Partido Social Democrata (SPD, na sigla em inglês), e Cem Oezdemir, líder do Partido Verde, disseram que receberam de Merkel a informação de que a EFSF será alavancada para além de seu tamanho atual - de 440 bilhões de euros. O novo valor será atingido por meio de uma série de medidas, segundo Steinmeier.

Os governos da zona do euro esperam que a EFSF seja capaz de proteger países como Itália e Espanha de serem engolidos pela crise de dívida. Para que isso aconteça, porém, o fundo precisa ser maior ou ter sua capacidade de empréstimo ampliada. A EFSF asseguraria aos investidores uma porcentagem contra possíveis perdas com bônus de governos da zona do euro e envolveria a participação de organizações externas, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Por causa do significado do movimento, membros do partido de Merkel propuseram que a mudança fosse votada pelo Parlamento do país na quarta-feira. Merkel conversou hoje com os membros do Parlamento sobre o progresso nos planos de resgate da zona do euro feito durante a cúpula de líderes europeus no fim de semana.

Recursos

Para atrair fundo públicos e privados, os líderes da zona do euro estudam criar um veículo de investimento de propósito específico, que seria usado para atrair fundos públicos e privados. Além disso, haveria compra de bônus para levantar fundos para a recapitalização dos bancos do bloco, segundo um alto oficial da União Europeia com conhecimento das discussões em andamento.

Segundo a fonte, essa é uma das duas opções analisadas para impulsionar o poder de fogo do fundo de resgate à Europa. Um documento elaborado pela UE, segundo esse oficial, diz ainda que duas formas de alavancagem da EFSF podem ser combinadas.

A segunda maneira para alavancar o fundo de resgate é a permitir que a EFSF financie uma proteção parcial para bônus soberanos emitidos por países da zona do euro. Esse certificado de proteção parcial seria separável dos bônus em si e poderia ser negociado independentemente.

De acordo com o oficial ouvido pela Dow Jones, nenhuma das duas maneiras de alavancar a EFSF exigiria uma mudança nas bases legais do fundo. Isso é muito importante, pois significa que os governos da zona do euro e os Parlamentos de cada país não precisariam ratificar as alterações.

"Um Estado membro emite um bônus soberano com um aprimoramento de crédito, por meio de um certificado de proteção parcial anexo. Ambos poderiam ser emitidos como um único pacote, mas seriam separados e negociáveis livremente após a emissão", comentou a fonte, citando o estudo da UE.

Já o veículo de investimento de propósito específico (SPIV, na sigla em inglês) seria usado para a aquisição de bônus nos mercados primário e secundário, além da recapitalização de bancos. Esse tipo de veículo poderia ser criado tanto em um nível europeu não identificado, como separadamente para países como Espanha e Itália.

"Um ou mais SPIV seriam criados. Cada veículo teria o mandato de facilitar financiamentos de Estados membros por meio de empréstimos, além de investir em bônus soberanos de um país específico nos mercados primário e secundário", comentou a fonte.

 

As informações são da Associated Press.

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