Fundos captaram R$ 27,5 bi em maio, confirma a Anbima

A cifra é considerada recorde para os meses de maio conforme a série iniciada em 2002

Aline Bronzati e Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

07 de junho de 2013 | 09h52

Os fundos de investimento registraram captação líquida de R$ 27,5 bilhões no mês de maio, o maior valor mensal desde janeiro último, segundo dados confirmados nesta sexta-feira, 7, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A cifra também é considerada recorde para os meses de maio conforme a série iniciada em 2002.

O destaque em maio foram os Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs), que no período tiveram ingresso líquido de R$ 12,4 bilhões, concentrados no segmento corporate. De janeiro a maio, a indústria de fundos levantou R$ 101,4 bilhões, o maior resultado da série no acumulado dos primeiros cinco meses do ano.

No acumulado do ano até maio, as categorias curto prazo e renda fixa são as de maior captação líquida, com R$ 22,7 bilhões e R$ 22 bilhões, respectivamente, e respondem por quase metade do resultado do setor no período, no qual também se destacam as categorias FIDC, previdência e ações.

"Boa parte dos ingressos na categoria Curto Prazo pode ser explicada pela captação líquida de investidores do Poder Público, cujo patrimônio líquido aplicado na indústria acumula crescimento de 17% no ano até abril", explica a Anbima, em relatório enviado ao mercado.

No quesito rentabilidade, os fundos da categoria Ações registraram retorno negativo, enquanto boa parte dos tipos da categoria renda fixa e multimercados teve resultado positivo, em um mês marcado pela queda de 1,90% do IMA-Geral, família de índices de renda fixa, do Ibovespa (-4,30%) e alta do dólar (6,50%). Na categoria Renda Fixa, conforme a Anbima, a exceção foi o tipo renda fixa índices, com variação negativa de 2,46%, influenciado, sobretudo, pela queda de 4,52% do IMA-B no período.

A alta do dólar, conforme a Anbima, beneficiou os fundos cambiais, que entregaram rentabilidade de 6,96% em maio. Entre os fundos com patrimônio líquido superior a R$ 1 bilhão, os multimercados long and short - direcional e neutro voltaram a registrar as maiores altas no mês, de 0,95% e 0,84%, respectivamente, quadro que também se replica no acumulado do ano. Em 12 meses, além dos fundos Ações Livre, também se destacam os multimercados trading (12,42%), long and short - direcional (11,63%) e macro (10,61%).

Ações

O mês de maio foi o primeiro do ano sem oferta de ações, informou a Anbima. A ausência de ofertas em renda variável, seguiu-se ao ativo mês de abril, quando o IPO de R$ 11,5 bilhões da BB Seguridade fez com que o segmento liderasse o volume de captações domésticas, que somou R$ 17,3 bilhões.

Em renda fixa, o total emitido em maio foi de R$ 5,5 bilhões, inferior aos R$ 7,9 bilhões em abril. No acumulado em 2013, as ofertas de títulos de renda fixa chegaram a R$ 34,7 bilhões, representando 66,8% de todo o volume levantado em 2013 (R$ 52 bilhões).

Segundo a Anbima, foi grande a participação dos ativos distribuídos com esforços restritos, que responderam por 99,5% do total de renda fixa. Já no volume total do ano, esta participação foi um pouco menor, de 78,3%.

Debêntures

As emissões de debêntures caíram para R$ 3 bilhões em maio, em 13 operações, novamente liderando o total das captações feitas no segmento de renda fixa nesse mês, de R$ 5,5 bilhões, informou há pouco a Anbima. O volume emitido de debêntures em maio ficou mais de 50% abaixo de abril, quando foram lançados R$ 6,4 bilhões desses papéis no mercado.

No acumulado do ano até maio, foram R$ 19,1 bilhões em emissões de debêntures, montante inferior aos R$ 21,1 bilhões no acumulado até abril, de acordo com o boletim da Anbima.

Depois das debêntures, o segundo instrumento de dívida mais utilizado em maio foram as notas promissórias, com um volume total de R$ 2 bilhões, acima de abril, quando foram emitidos R$ 1,464 bilhão desses papéis. Segundo a Anbima, este foi o segundo maior valor mensal de ofertas de notas promissórias em 2013, movimento que pode ser justificado pela elevação das taxas básicas de juros no período, o que traz incentivos à realização de operações de prazos mais curtos, como as notas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.