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Fundos voltam a negociar com Fleury

Grupo de medicina diagnóstica, avaliado em R$ 2,8 bilhões, intensificou conversas com gestoras nacionais e estrangeiras para venda de participação minoritária

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2015 | 03h00

Depois de uma tentativa frustrada de se unir ao laboratório mineiro Hermes Pardini, no ano passado, em uma operação costurada pela gestora Gávea Investimentos, o Grupo Fleury, uma das maiores companhias de medicina diagnóstica do País, voltou a negociar a entrada de um investidor para o seu negócio.

Gestoras nacionais, como a Tarpon, e estrangeiras, como Advent, KKR, além da Temasek, empresa de investimento do governo de Cingapura, e do fundo soberano do mesmo país, o GIC, estariam em conversas com a Core Participações, maior acionista do Fleury, apurou o Estado.

Essa não é a primeira vez que os acionistas do Fleury tentam se desfazer de suas participações. Além das negociações fracassadas com o Gávea, fundos, como o Temasek, já tentaram entrar na empresa em 2009. Agora, embora as conversas sigam firmes, não há uma previsão de se concluir o negócio no curto prazo, dada a intrincada composição acionária da holding, que controla o Fleury.

A Core reúne 23 médicos e uma administradora de empresa e detém 41,2% de participação direta e indireta na companhia. Esse grupo é composto, em sua maioria, por acionistas com idade média acima de 60 anos. Parte deles já não estaria mais interessada em se manter no negócio. No bloco de controle, além da Core, está o Bradesco Seguros, com participação direta e indireta de 10,4%. 

Em fevereiro, a Core informou que “analisa oportunidades estratégicas”, como a entrada de um sócio minoritário, mas que não tem interesse em vender o controle, como em 2014. A holding é assessorada pelo JP Morgan e pela Inspire Capital Partners, que conversam com os possíveis interessados. Fontes afirmam que pelo menos metade da fatia da Core será colocada à venda.

A Tarpon é a gestora que está em conversas mais avançadas com Fleury. Eles podem entrar sozinhos no negócio, mas não descartam se unir com fundos de pensão do Canadá e fundos soberanos para fazer uma oferta mais robusta e tornar o Fleury seu braço de negócio em saúde, assim como fizeram com a Abril Educação, disseram duas fontes ao Estado. Procurados, Tarpon e GIC não retornaram os pedidos de entrevista. Advent, KKR e Temasek não comentam o assunto

Desconfiança. Com valor de mercado avaliado em R$ 2,8 bilhões, as ações do Fleury acumulam valorização de 11,7% neste ano. Mas os papéis da companhia foram castigados nos últimos meses, com a desconfiança do mercado em relação às incertezas sobre as mudanças no controle acionário da companhia. Na sexta-feira, as ações da companhia fecharam a R$ 18. O Estado apurou que investidores podem fechar um acordo pagando um prêmio de 10% sobre as ações.

“O negócio Fleury é muito bom e tem potencial para crescer, mas ainda há dúvidas sobre o comportamento dos acionistas da Core. No ano passado, eles estavam dispostos a se desfazer do controle. Agora, querem vender fatia minoritária”, disse Caio Moreira, analista do Banco Fator. “A empresa tem conseguido bons resultados nos últimos meses, mas é preciso entender qual o parceiro estratégico que eles querem”, afirmou Victor Falzoni, analista do Banco Plural.

Em entrevista ao Estado, o presidente do Fleury, Carlos Marinelli, afirmou que os executivos da empresa ficam de fora das negociações da possível venda de participação da companhia. “Meu trabalho aqui é buscar maior rentabilidade do negócio, que tem crescido nos últimos meses”, disse.


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