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Fusão criaria negócio semelhante à JBS

Ao se unir à Marfrig, que tem forte presença em carne bovina nos EUA, a BRF teria uma plataforma global de carne bovina, suína e de frango

Cristiane Barbieri, Mônica Scaramuzzo e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2019 | 04h00

Embora o anúncio das conversas sobre a fusão entre a BRF e a Marfrig tenha causado surpresa no mercado, uma das possíveis explicações para o acordo seria a possibilidade de se criar uma nova plataforma global de carnes. Com a força da BRF em frangos e suínos, principalmente no Brasil, e o porte da Marfrig nos EUA, onde estão mais de 50% de suas vendas, a união criaria um negócio mais semelhante, ainda que bem menor, às operações de JBS e da Tyson Foods.

No ano passado, a JBS encerrou com faturamento de R$ 181 bilhões, e a Tyson em cerca de R$ 160 bilhões. BRF e Marfrig teriam receita líquida combinada de R$ 76 bilhões em 2018.

“Não acho que o negócio traga sinergias relevantes, além dos ganhos administrativos e operacionais de praxe”, disse o analista de bebidas e agronegócio do Itaú BBA, Antônio Barreto. “Sobram, dessa forma, outras explicações, como a tentativa da BRF de conseguir reduzir sua alavancagem de forma mais rápida e a criação de um competidor global de porte mais parecido com a JBS e a Tyson Foods.”

Barreto disse, porém, que ainda é discutível se essa seria a melhor alternativa para a dona das marcas Sadia e Perdigão. De um ano para cá, a BRF deu início a um agressivo processo de venda de ativos – levantou R$ 4,1 bilhões e buscava parceiros para as empresas distribuidoras de frango.

Do ponto de vista da redução do endividamento da BRF, havia outras alternativas na mesa, de acordo com Barreto. O mercado já esperava que, com a gripe suína na China, os resultados da BRF melhorassem de forma sensível ao longo de 2020 e 2021. Tanto que isso já começou a aparecer nas ações da empresa, que subiram cerca de 40% nos últimos três meses. Segundo os balanços do primeiro trimestre das duas empresas, a alavancagem (relação entre dívida e geração de caixa) da BRF era de 5,64 vezes, enquanto o da Marfrig era de 2,76 vezes.

A Marfrig também empreendeu um esforço considerável para reduzir sua dívida. No ano passado, vendeu a Keystone, maior produtora de carne industrializada, por US$ 2,5 bilhões, à Tyson Foods, e se associou à americana National Beef para se fortalecer em carne bovina.

Por causa da crise que enfrenta desde o fim de 2016, a BRF virou alvo de fundos de investimentos. A americana Tyson Foods foi apontada como uma possível interessada em adquirir o controle da dona da Sadia e Perdigão, segundo fontes.

União de estratégicos

De acordo com o sócio-diretor da consultoria Duff & Phelps no Brasil, Alexandre Pierantoni, o mercado de fusões e aquisições continua bem ativo no País, a despeito do fraco crescimento da economia. A união entre BRF e Marfrig vai unir dois grupos estratégicos e que têm boa parte de suas receitas em dólar e garante que o controle da empresa fique em mãos brasileiras.

“Nesses primeiros cinco meses, os movimentos de fusões e aquisições continuam no mesmo patamar de 700 a 800 operações ao ano”, disse Pierantoni. “Investidores, nacionais e estrangeiros, que pensam a longo prazo e são mais resilientes à crise, e, levando em consideração o momento do País, procuram as melhores aplicações.”

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