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Fusão entre Bovespa e Cetip deve gerar sinergia de até R$ 100 milhões em três anos

Valor corresponde a 10% das despesas; empresas apostam na combinação dos negócios de rendas fixa e variável para gerar uma economia de bilhões de reais aos clientes

Aline Bronzati e Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

11 de abril de 2016 | 11h31

SÃO PAULO - A fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip deve gerar sinergia de R$ 90 milhões a R$ 100 milhões para a nova companhia ao final do terceiro ano de integração, de acordo com o presidente da bolsa, Edemir Pinto. "Esperamos sinergia de pelo menos 10% para as despesas combinadas, que devem corresponder de R$ 90 milhões a R$ 100 milhões ao final do terceiro ano de integração", destacou ele em conversa com jornalistas nesta manhã.

A união das companhias, que agora depende da aprovação dos acionistas e do aval dos órgãos reguladores, criará uma companhia de mais de R$ 40 bilhões em valor de mercado e que reunirá o mercado de renda fixa e variável no Brasil.

Os números de sinergia levam em conta, conforme Edemir, o orçamento de despesas ao final de 2015, de cerca de R$ 600 milhões da bolsa e de R$ 330 milhões da Cetip. Combinadas, após o aval dos órgãos reguladores responsáveis, devem somar entre R$ 900 milhões e R$ 1 bilhão.

Gilson Finkelsztain, diretor-presidente da Cetip, disse que a sinergia de despesas não é tão grande e que não foi essa a grande motivação da combinação de negócios com a BM&FBovespa, comentada há anos no mercado. "Após a aprovação dos reguladores, teremos oportunidades em projetos, serviços e produtos, o que devem garantir o crescimento futuro esperado", afirmou o executivo.

Para o mercado, de acordo com Edemir, a combinação de negócios da BM&FBovespa com a Cetip deve gerar uma redução de margem à medida que os ambientes de balcão e bolsa passarão a atuar de forma conjunta, concentrados em uma mesma central contraparte (CCP). Há de imediato, conforme ele, um menor uso de capital dos agentes, beneficiando bancos em termos de Basileia, que mede o quanto o banco pode emprestar sem comprometer o seu capital.

"A nova empresa trará menos custos e será mais eficiente. A combinação das duas companhias amplia o grau de diversificação de negócios e vai gerar uma economia de bilhões de reais a clientes", disse Edemir.

Além disso, após integrada, a nova companhia também exigirá menos margem dos participantes de mercado, segundo o presidente da BM&FBovespa. Sem dar números de uma eventual redução, Edemir lembrou que somente a integração das clearings da bolsa já enxugou a margem exigida em R$ 20 bilhões e outros R$ 15 bilhões estão previstos com a unificação da área de ações à nova clearing.

Pedro Parente, presidente do Conselho de Administração da BM&FBovespa, destacou ainda, durante coletiva de imprensa, que a integração da bolsa com a Cetip é complexa e não se trata de um "assunto corriqueiro". "Teremos de ter um plano muito bem feito e implementá-lo sem prejuízo até obtermos as aprovações específicas. A principal prioridade é a melhor integração possível", concluiu.

Dívida. A BM&FBovespa já tem acertado com bancos a tomada de dívida para completar o montante necessário para financiar a fusão com a Cetip, afirmou Edemir. Segundo ele, ainda não foi definido o tipo de dívida, mas que não vê qualquer "dificuldade ou problema para liquidar a operação tão logo seja aprovada pelos órgãos reguladores".

A transação, afirmou, tem um valor de aproximadamente R$ 12 bilhões, sendo 75% a ser pago em dinheiro, conforme o acordo divulgado em fato relevante na sexta-feira. Edemir citou que a venda de sua participação na CME responderá por parte importante desse valor.

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