Fusão poderia ter ocorrido há 16 anos

De lá para cá, as duas rivais ensaiaram várias vezes uma união

Paulo Justus,

17 de maio de 2009 | 22h30

Faz pelo menos 16 anos desde que se falou pela primeira vez numa fusão entre Sadia e Perdigão. Na época, a Perdigão era quem estava endividada e prestes a perder o controle familiar. De lá para cá, as companhias cresceram em paralelo, diversificaram os produtos e mantiveram-se de olho uma na outra.

 

linkVeja o especial sobre a fusão entre Perdigão e Sadia

Atolada em dívidas em 1993, a Perdigão esteve a ponto de ser desmontada. Entre as interessadas na compra estavam a Avipal, que mais tarde se tornou Eleva e foi comprada pela própria Perdigão, e a Sadia, que tinha um faturamento então cerca de três vezes superior à principal concorrente. Em 1994, a Perdigão foi vendida para um grupo de fundos de pensão de empresas estatais.

A partir da profissionalização, a Perdigão iniciou um processo de crescimento que teve como principal suporte a nova planta de Rio Verde (GO). Resultado dessa expansão foi o aumento de valor de mercado da empresa, hoje 35 vezes maior, e da receita líquida, que foi multiplicada por 26.

Mesmo com o fortalecimento, o falatório da fusão com a Sadia continuou latente. Ressurgiu em 2002, quando as empresas se uniram para criar a BRF Trading, para exportar carnes congeladas. Dois anos depois, uma reserva de caixa de R$ 2,5 bilhões da Sadia levantou novas suspeitas de uma união entre as empresas.

O sinal claro da intenção de compra veio em 2006, quando a Sadia surpreendeu o mercado e fez a primeira oferta pública de mercado no Brasil para adquirir a Perdigão. Depois de recusada a primeira oferta, a empresa chegou a oferecer R$ 3,9 bilhões para adquirir a concorrente, mas foi novamente rechaçada.

O episódio ficou marcado pela utilização de informações privilegiadas por executivos da Sadia, que foram punidos por ter negociado ações da Perdigão na Bolsa de Valores de Nova York, dias antes do anúncio da oferta de compra pela Sadia.

Depois da perda de R$ 2,6 bilhões em 2008 com derivativos, a Sadia passou a ser o objeto de compra. Em março deste ano, a empresa assumiu em fato relevante que estava negociando uma associação com a Perdigão.

Considerada mais arrojada que a rival, a Sadia conseguiu crescer mais rapidamente que a Perdigão. Foi a primeira a vir para São Paulo, em 1947, três anos depois de seu surgimento.

Em 1952, a empresa arrendou um avião da então Panair do Brasil para trazer produtos frescos da matriz em Concórdia (SC) para os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro. Essa foi a alternativa logística encontrada numa época em que não havia caminhões frigoríficos. O resultado da experiência foi a criação de Sadia Transportes em 1955, que posteriormente teve o nome mudado para Transbrasil.

A consolidação da Perdigão no Sudeste ocorreu em 1962, ano em que a empresa atingiu a marca de 500 aves abatidas por dia para a comercialização na capital paulista. O ponto forte da empresa esteve mais ligado à estrutura produtiva e a relação com os fornecedores.

O chester, marca registrada da empresa, foi fruto desses investimentos. Criado em 1979 a partir de uma linhagem de aves que concentram 70% da carne no peito e nas coxas, o produto foi desenvolvido para concorrer com o peru que a Sadia já produzia desde 1973.

A primeira a cruzar as fronteiras do País é a Sadia, que a partir de 1975 passa a exportar para o Oriente Médio. A internacionalização da Perdigão começa em 1990 na joint venture com a empresa Persuínos, de Portugal, desfeita um ano mais tarde.

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