Fusões e aquisições crescem 55% em 2010, para R$ 184,8 bi, diz Anbima

Foram anunciadas 143 operações em 2010, o que representa expansão de 51% ante 2009

Chiara Quintão, da Agência Estado,

17 de fevereiro de 2011 | 11h20

O volume de fusões, aquisições e reestruturações societárias anunciado cresceu 55% no ano passado, na comparação com 2009, para R$ 184,8 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). O valor é recorde, de acordo com a entidade, levando-se em conta a atual metodologia, utilizada desde 2006.

Foram anunciadas 143 operações em 2010, o que representa expansão de 51% ante 2009.

No segundo semestre do ano passado, o volume de operações somou R$ 93,1 bilhões, com aumento de 56% em relação ao mesmo período de 2009. O número de operações cresceu 45%, para 68, nessa base de comparação semestral.

A Anbima destacou as aquisições de empresas brasileiras por estrangeiras. Foram 39 operações nesse formato, no total de R$ 56,9 bilhões, o correspondente a 31%.

Das operações registradas pela Anbima, 31% superaram R$ 1 bilhão. Três delas ultrapassaram R$ 10 bilhões - Portugal Telecom e Telefônica, Tam e Lan, e Shell e Cosan.

Na distribuição por setores, o de TI e Telecom foi responsável por 18% do valor negociado no ano passado, seguido por Agronegócio (13,2%), e Metalurgia e Siderurgia (12,6%). Em número de operações, Agronegócios e Energia puxam a fila, respondendo por 11,1% e 8,4%, respectivamente. 

Perspectiva


O presidente do subcomitê de fusões e aquisições da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Bruno Amaral, afirmou, há pouco, que o total das operações de fusões e aquisições de 2011 poderá ser igual ou superar o de 2010. No ano passado, o volume de fusões, aquisições e reestruturações societárias cresceu 55% ante 2009, para o valor recorde de R$ 184,8 bilhões, conforme a Anbima.

Em novembro, a avaliação de Amaral era de que as operações continuariam aquecidas em 2011, mas dificilmente superariam 2010. Questionado sobre a mudança de percepção, o representante da Anbima respondeu que a transição de governo e o período das eleições foram bastante tranquilos. "Estamos percebendo também bastante interesse na ponta compradora por ativos de infraestrutura, tanto de estrangeiras como de brasileiras", acrescentou.

A superação de 2010 é um "desafio", segundo Amaral. "Mas pode ser que estejamos enxergando uma mudança de patamar", afirmou. "Tendo o início do ano como parâmetro, se tudo continuar conforme o que estamos visualizando agora, há possibilidade real de superar 2010."

Por valor de operações os destaques serão os segmentos de infraestrutura, energia, petróleo e gás e mineração e metalurgia. "Em número de operações, varejo, educação e TI podem ter um ano bom", acrescentou.

A participação de estrangeiros continuará forte em fusões e aquisições em 2011, segundo Amaral, com destaques para as participações da Europa e da Ásia. O interesse dos asiáticos não se restringe ao dos chineses e concentra-se em operações de maior porte, de acordo com o representante da Anbima, como em petróleo e gás, e infraestrutura. "A incógnita é a participação das empresas norte-americanas", disse. 

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