JF Diório/ AE
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Futebol: indústria bilionária com ataque nos negócios e defesa no orçamento

Os 12 clubes com as marcas mais valiosas do País geraram R$ 1,52 bilhão em receitas em 2010, ao mesmo tempo em que acumularam um endividamento superior a R$ 3 bilhões

Bianca Pinto Lima, do Economia & Negócios,

28 de setembro de 2011 | 08h20

Os 12 clubes com as marcas mais valiosas do futebol brasileiro geraram R$ 1,52 bilhão em receitas totais em 2010. Esses mesmos times, contudo, fecharam o ano passado com um endividamento superior a R$ 3 bilhões e um déficit nas contas de R$ 191,71 milhões. Os números, levantados pela consultoria BDO RCS, refletem o difícil equilíbrio dessa indústria bilionária entre o ataque nos negócios e a defesa no orçamento.

Com patrocínio e publicidade, esse seleto grupo gerou R$ 287 milhões em 2010. Já os recursos com bilheteria atingiram R$ 174 milhões no mesmo período. Caso fossem consideradas as receitas do São Paulo com o estádio do Morumbi, o montante superaria R$ 208 milhões.

O Corinthians lidera o ranking de marcas mais valiosas, tendo crescido 16% em valor de marca em 2011 ante 2010 e 203% na comparação com 2004. A evolução se deve, principalmente, ao crescimento das receitas de marketing, cotas de TV e clube social.

O clube paulista é o que mais fatura no Brasil, mas também o que apresenta os maiores gastos, especialmente com o departamento de futebol. "O clube tem grande potencial de geração de receitas, mas precisa controlar as despesas. Só assim conseguirá fechar no azul sem a necessidade de vender atletas", diz Amir Somoggi, diretor da área Esporte Total da BDO RCS.

A grande quantidade de jogos transmitidos na TV também fortalece a base de torcedores do time e desperta o interesse dos patrocinadores.

O Flamengo aparece na vice-liderança do ranking. O valor de marca do time fluminense cresceu 10% ante 2010 e 114% na comparação com 2004 em função, principalmente, da evolução das receitas de marketing, bilheteria dos jogos e cotas de TV.

A torcida é o grande diferencial do rubro negro da Gávea. O clube é líder entre todos os torcedores do Brasil de diferentes classes sociais, embora venha diminuindo a participação entre os mais ricos e aumentando entre os mais pobres. Também lidera entre os jovens, com especial força no Rio de Janeiro.

O time fluminense, no entanto, ainda não conseguiu transformar a sua base de milhões de torcedores em receitas contundentes. "Para isso, tem o desafio de trabalhar o relacionamento com a torcida espalhada pelo Brasil", afirma Somoggi.

Veja especial sobre os clubes:

http://economia.estadao.com.br/especiais/futebol-brasileiro-industria-que-se-equilibra-entre-o-ataque-nos-negocios-e-a-defesa-no-orcamento,148009.htm

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