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Futuro da Kodak é, de novo, posto em dúvida

 Empresa recorre a empréstimo inesperado e ações despencam em Nova York

The New York Times,

27 de setembro de 2011 | 23h12

A Eastman Kodak tem lutado para se reinventar nas últimas décadas. Assim, quando Antonio M. Perez, seu presidente executivo, anunciou em julho que tinha confiança na capacidade da Kodak de se transformar numa empresa digital rentável e sustentável até 2012, muitos investidores se mostraram céticos.

A inesperada decisão da Kodak de recorrer à sua linha de crédito para um empréstimo de US$ 160 milhões na semana passada reforçou as preocupações quanto à estratégia para uma reviravolta na empresa, que tem como base a comercialização de impressoras a jato de tinta, impressões comerciais e patentes. Na segunda feira, as ações da Kodak perderam um quarto do seu valor, fechando o pregão avaliadas em US$ 1,74. Desde o início do ano, o preço das ações da Kodak já caiu 70%.

"Não previmos que a empresa teria de recorrer à linha de crédito entre o terceiro e o quarto trimestre", disse Shannon Cross, da Cross Research, de Nova Jersey. "Isso mostra que o núcleo das atividades da Kodak ainda gasta mais do que ganha."

Chris Whitmore, analista do Deutsche Bank Securities, disse que a Kodak tinha US$ 957 milhões em dinheiro no fim do último trimestre, e anunciou que esse montante chegaria a US$ 1,7 bilhão até o fim do ano. Ele disse que, como resultado, os investidores esperavam que a Kodak vendesse ativos para arrecadar dinheiro, e não que recorresse a empréstimos. "A maioria das pessoas não esperava que a Kodak buscasse reforço na sua linha de crédito a essa altura."

Captação

Mas representantes da Kodak e alguns analistas atribuíram menos importância à decisão. Um dos motivos alegados para o empréstimo é o fato de o dinheiro da empresa ser captado no exterior, e o processo de trazê-lo ao país acarreta em pesados encargos fiscais.

"O propósito da linha de crédito é preencher as lacunas temporais entre a saída de dinheiro e a entrada de dinheiro, prática comum em muitas empresas", dizia um pronunciamento da Kodak. "Como afirmamos anteriormente, nosso fluxo de caixa depende muito de fatores sazonais. Esse recurso é uma ferramenta que nos ajuda a administrar tais fatores." Posteriormente, a empresa acrescentou: "Por motivos associados à nossa gestão global de recursos monetários, decidimos que o melhor seria recorrer à nossa linha de crédito".

Mark Kaufman, analista da Rafferty Capital Markets, disse que não era surpresa o fato de a Kodak ter recorrido à sua linha de crédito, levando-se em consideração a influência de fatores sazonais no seu fluxo de caixa. Mas ele disse que a maneira com a qual a decisão foi implementada - revelada após o fechamento dos mercados na sexta-feira - fez com que os investidores temessem a possibilidade de haver algo errado.

Fotografia

Criada em 1888 por George Eastman, a Kodak se tornou conhecida por suas icônicas embalagens amarelas de película fotográfica, que dominaram a indústria e ajudaram a fazer prosperar sua cidade natal, Rochester, em Nova York. Mas a sorte da Kodak sofreu uma reviravolta com a proliferação das câmeras digitais - inventadas pela Kodak em 1975, mas usadas por empresas como Canon e Nikon para garantir o seu domínio sobre esse mercado.

Sucessivos presidentes tentaram diferentes estratégias para mudar esse quadro, mas, com frequência, foram lentos na adaptação às mudanças no mercado e enfrentaram considerável resistência interna quando o fizeram sem demora.

Perez, que trabalhou muitos anos na Hewlett-Packard, foi contratado em abril de 2003. Ele tentou afastar a Kodak das películas fotográficas e aproximá-la de ramos digitais, como as impressoras a jato de tinta.

Ele também fez dinheiro ao licenciar o uso das patentes do portfólio da empresa, decisão que ajudou a pagar o custo das suas tentativas de reverter a situação. A Kodak tenta vender 1.100 patentes de imagem digital. Mas o fluxo de caixa da Kodak tem sofrido constante erosão há mais de uma década, e muitos se perguntam se a empresa terá dinheiro suficiente para financiar as próprias reformas.

"O problema é que o tempo está de fato se esgotando para as tentativas deles de levar suas principais atividades a uma posição mais rentável", disse Cross, da Cross Research.

Whitmore, do Deutsche Bank, disse que a história da Kodak era um caso perfeito para ser estudado nas faculdades de administração. "Esses sujeitos inventaram exatamente o aparelho que os está levando à bancarrota." (Andrew Martin)

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