G-20 atribui alta das commodities a choques de oferta

Segundo um relatório preliminar, a alta dos preços ocorre porque a oferta não está acompanhando a demanda

Filipe Domingues, da Agência Estado,

25 de fevereiro de 2011 | 15h11

Um relatório preliminar que vem sendo preparado pelo grupo das 20 maiores economias do mundo (G-20) atribui a alta dos preços de commodities como trigo, açúcar, algodão, metais e petróleo ao fato de que a oferta não está acompanhando a demanda. Um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - que se reuniu em preparação para o próximo encontro de autoridades financeiras do G-20 em abril - deve sinalizar esforços para impulsionar a produção de commodities no mundo. Também deve ajudar a reduzir as críticas sobre as políticas de afrouxamento monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), acusada por muitos de ser um catalisador da inflação global.

O presidente francês, Nicholas Sarkozy, que preside o G-20 atualmente, alertou recentemente que a alta das commodities é uma ameaça para a economia global. Ministros de finanças e presidentes de bancos centrais, reunidos em Paris uma semana atrás, disseram que vão avaliar os motivos da elevação dos preços para tomar atitudes.

"É muito difícil distinguir entre fatores financeiros e estruturais por trás da elevação de preços, mas parece que a demanda e a oferta estão representando papel predominante", declarou o economista-chefe e vice-secretário-geral da OCDE, Pier Carlo Padoan, em entrevista. A seca e os incêndios na Rússia, somados às restrições de exportação impostas pelo governo local, ajudaram a puxar as cotações do trigo. Enquanto isso, colheitas menores do que o normal nos Estados Unidos, na Europa, na Austrália e na Argentina contribuíram para a elevação dos preços de outras commodities no mercado internacional.

O relatório da OCDE deve destacar que houve pouco investimento na agricultura durante os últimos anos, de modo que a produtividade estagnou. Ao mesmo tempo, a demanda por alimentos cresce na China e na Índia, países mais populosos do mundo, enquanto suas economias se expandem em ritmo acelerado. Em resposta às críticas contra a política de afrouxamento monetário, o presidente do Fed, Ben Bernanke, acusa o forte crescimento das economias em desenvolvimento e diz que a resposta desses países é inadequada para a questão, o que inclui a relutância da China em permitir que sua moeda se valorize.

Um argumento similar de oferta e demanda pode ser utilizado para avaliar os preços do petróleo, segundo Padoan. Recentemente, as cotações do petróleo superaram US$ 100/barril, em meio a preocupações com o recente tumulto nos países produtores do Norte da África e do Oriente Médio. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
G-20commoditiesOCDE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.