G-20 concorda em ampliar recursos do Fundo Monetário Internacional

Principais economias do mundo devem liberar ao menos US$ 400 bi ao Fundo; Rússia oferecerá US$ 10 bi

Reuters,

20 de abril de 2012 | 08h16

Texto atualizado às 11h20

MOSCOU - As principais potências emergentes estão prontas para comprometer-se nesta sexta-feira em dar dinheiro para impulsionar o poder de fogo do Fundo Monetário Internacional (FMI) contra a crise, embora o Brasil busque garantias de aumento de seu poder de voto na instituição.

A Rússia afirmou que o G-20 - grupo formado pelas principais economias do mundo - e países emergentes estão prontos para dedicar em uma reunião nesta sexta-feira novos recursos suficientes para atender ao pedido da diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, de pelos menos US$ 400 bilhões, para se encerrar a crise de dívida da zona do euro. A própria Rússia oferecerá US$ 10 bilhões.

"Confie em mim que o G-20 anunciará a quantia final. Será uma quantia que vai satisfazer a gerência do Fundo Monetário Internacional", disse Sergei Storchak, vice-ministro das Finanças russo.

O apoio de Rússia, China e Brasil é crucial para o valor pretendido pelo FMI. Europa e Japão já prometeram US$ 320 bilhões. Um diplomata internacional afirmou que, no total, países emergentes dispuseram pelo menos US$ 100 bilhões. A decisão depende basicamente da China. "É mais uma questão de 'quando', não 'se' a China vai contribuir", afirmou.

O FMI vem alertando que a crise da dívida da zona do euro apresenta o risco mais grave à expansão da economia global, e mercados financeiros mostram preocupação que Espanha e Itália podem ser os próximos a procurar resgates, na linha do que fizeram Grécia, Irlanda e Portugal.

Mas o Brasil afirmou que, como condição para fornecer fundos, as potências emergentes querem novas garantias de que haverá reconhecimento por escrito no comunicado do G-20 do peso que suas crescentes economias têm no âmbito global. Elas estão frustradas com atrasos -particularmente dos Estados Unidos- na implementação de um acordo para reduzir a influência da Europa no FMI e levantar a China para o posto número 3 de votação.

"O que queremos e exigimos em todas as reuniões é que esse compromisso seja reafirmado", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, após reunião na quinta-feira de autoridades dos Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Mantega vai tratar do assunto de maneira mais contundente ainda em um discurso preparado para o sábado em uma comissão do FMI, afirmando que não é mais suficiente a simples repetição de que reformas no sistema de votação são cruciais para a efetividade do FMI.

"O progresso nesta frente tem sido limitado e lento", afirmará o ministro, segundo o texto.

Otimismo

Lagarde se mostrou otimista quanto à meta da instituição de obter US$ 400 bilhões em empréstimos durante a reunião anual de primavera, que começou hoje.

Quando questionada se tinha compromissos firmes dos membros do Fundo com o novo aporte, ela disse "nós estamos indo muito bem". Mais cedo esta semana, Lagarde tinha afirmado que o FMI já conseguiu promessas para US$ 320 bilhões em empréstimos e que tinha "mais na sacola".

(Com Agência Estado)

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