G-20 faz acordo sobre política monetária e reforma do FMI

Europeus entregarão duas vagas no conselho de direção do Fundo e 6% a mais de poder de votação às nações emergentes

Reuters,

23 de outubro de 2010 | 09h56

Os países que compõem o G-20 chegaram a um acordo no sábado para deter as desvalorizações competitivas de moedas, embora não tenham conseguido um consenso sobre uma linguagem mais firme que poderia ter estimulado o dólar.

Durante uma reunião na Coreia do Sul, a crescente influência das grandes nações emergentes foi reconhecida em um surpreendente pacto para dar-lhes maior participação no Fundo Monetário Internacional (FMI).

O acordo de reforma do FMI foi descrito como um momento "histórico" pelo diretor-gerente do fundo, Dominique Strauss-Kahn, o que levará aos europeus entregar duas vagas no conselho de direção e 6% a mais de poder de votação às nações emergentes. "Esta é a maior reforma já realizada na direção da instituição", afirmou a jornalistas Strauss-Kahn, quem está no comando do organismo de 187 países.

O acordo transformará a China no terceiro integrante mais poderoso do FMI, superando potências tradicionais como Alemanha, França e Itália. A Índia passará do 11º ao oitavo lugar. A Rússia ficará em nono e o Brasil em 10º lugar.

"Nossa demanda era de que a cota de participação deveria refletir a realidade e as fortalezas econômicas atuais, (caso contrário) teria danificado a credibilidade da instituição. Isso está sendo corrigido agora", disse o ministro de Finanças indiano, Pranab Mukherjee.

O G-20 decidiu há um ano entregar ao menos 5% dos direitos de votação a nações em desenvolvimento como Índia e Brasil, cujo peso dentro do FMI não estava de acordo com seu ritmo de desenvolvimento.

Política monetária e câmbio

Os esforços dos Estados Unidos para limitar os atuais desequilíbrios das contas correntes a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), uma medida que apontava diretamente ao superávit da China, encontraram resistência em várias nações.

Os membros do G-20 se comprometeram em um comunicado a "regular as desvalorizações competitivas de suas moedas", enquanto as nações em desenvolvimento prometeram reduzir seus déficits orçamentários ao longo do tempo e tomar ações para controlar os desequilíbrios das contas correntes.

"Para que o mundo possa crescer a um ritmo forte e sólido no futuro... precisamos trabalhar para conquistar um maior equilíbrio no caminho da expansão global enquanto nos recuperamos da crise", disse o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner.

Propostas dos EUA causam tensão

As propostas dos Estados Unidos para regular os desequilíbrios das contas correntes acontecem enquanto Pequim acumulou US$ 2,65 trilhões em reservas de moeda oficial como consequência de seu enorme superávit comercial, o que levou a Câmara dos Deputados norte-americana a aprovar uma lei que ameaça retaliações a menos que a China permita o fortalecimento de sua moeda.

Autoridades chinesas não fizeram comentários sobre a disputa, mas uma fonte do G-20 disse que Pequim era contra qualquer comunicado que comprometesse explicitamente os países a limitar seus balanços de conta corrente ou com qualquer outro regulamento sobre política monetária.

As tensões que no encontro levaram Japão e China a rebater as propostas norte-americanas continuaram até depois do fim da cúpula. A Alemanha disse que havia críticas à política norte-americana de injetar dinheiro no sistema bancário que terminou chegando a economias emergentes como o Brasil, causando bolhas nos preços dos ativos.

"Tentei deixar claro em minha contribuição a discussão que considero (o relaxamento) uma forma errada de atuar", disse o ministro alemão de Economia, Rainer Bruederle. "Um excessivo e permanente incremento no dinheiro (injeção de fundos) é, sob meu ponto de vista, uma manipulação indireta da taxa (de câmbio)", afirmou.

Contudo, a Coreia do Sul foi mais otimista sobre o resultado da reunião e disse que o G-20 estava ajudando a acabar com a incerteza dos mercados. "Isso terminará com a controvérsia pela taxa de câmbio", afirmou o ministro sul-coreano de Finanças, Yoon Jeung-hyun.

(Fiona Shaikh e Langi Chiang)

Texto atualizado às 10h50

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