Gabrielli confia em capitalização no 1º semestre

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, reiterou hoje que a companhia está confiante na conclusão de seu processo de capitalização no primeiro semestre deste ano e que conta com a cessão onerosa, por parte do governo, dos cinco bilhões de barris de petróleo do pré-sal. "A gente não tem outra coisa a fazer senão esperar", disse, ressaltando que "todos os dias pensa em alternativas para a capitalização". "É claro que estamos discutindo alternativas internamente, mas eu não vou discutir isso publicamente, porque não tem sentido. Só quando aparecer o fenômeno é que vamos discutir o que fazer."

KELLY LIMA, Agencia Estado

22 de abril de 2010 | 20h18

Gabrielli afirmou ainda que a companhia está na expectativa de que o Senado aprove o projeto de lei em maio. Entre a data da promulgação e o lançamento das ações ao mercado devem correr entre 45 e 60 dias, prazo em que deverá ser convocada a assembleia de acionistas e auditado o volume e valor das reservas do pré-sal que serão repassadas pelo governo federal à Petrobrás.

Indagado sobre a perfuração feita em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para localizar os barris do governo que serão repassados à Petrobras, Gabrielli esquivou-se. Ele confirmou apenas que será necessária a perfuração de um segundo poço próximo à área de Iara, na Bacia de Santos, onde já foi concluído o primeiro. "Quem deve falar sobre isso é o operador, que neste caso é a ANP", lembrou, destacando que a capitalização só poderá ser realizada a partir do momento em que os dados sobre este reservatório estiverem disponíveis. "Não vou especular (quando sai o resultado da perfuração). Vou trabalhar com a hipótese de que é possível. Mas se o possível não chegar, vamos ter que ver o que vamos fazer", disse.

O executivo destacou que não há outra saída para a Petrobras que não passe pela capitalização. Mas destacou que esta entrada de capital não é voltada para financiar os investimentos. "É um equívoco dizer que queremos a capitalização para financiar os projetos este ano. Queremos manter estável a relação de capital próprio e capital financiado. Para mantermos o nível de investment grade temos que ter no máximo 35% de dívida sobre o capital próprio. Como necessariamente vamos crescer a dívida nos próximos cinco anos, melhor ter agora uma estrutura de capital próprio maior porque, com isso, melhoramos o nosso acesso ao mercado", disse Gabrielli, em rápida entrevista após participar das assembleias ordinária e extraordinária dos acionistas realizada hoje na sede da companhia.

As assembleias aprovaram o nome do ministro da Fazenda, Guido Mantega, como presidente do Conselho de Administração da estatal, no lugar da ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que deixou o posto para disputar a eleição presidencial. Também foi aprovada a entrada do ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, no Conselho, no lugar de Mantega.

O presidente da Petrobras também rebateu notícias veiculadas hoje na imprensa, de que a estatal poderia vir a integrar o consórcio vencedor do leilão de Belo Monte, para participar da construção da usina hidrelétrica. "Não sei de onde tiraram isso. Não faz parte dos nossos planos", afirmou, lembrando que a empresa tem planos de expansão na área de geração térmica, na qual espera saltar dos atuais 5,46 mil MW de capacidade para 7,4 mil MW com novas usinas a gás natural.

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