Gabrielli descarta nova capitalização da Petrobrás

Segundo presidente da estatal, companhia só não terá acesso a financiamentos no mercado 'se o mundo acabar'

Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

29 de julho de 2011 | 16h57

Apesar de os investimentos previstos pela Petrobrás até 2015, de US$ 224,7 bilhões, demandarem captação de US$ 67 bilhões a US$ 91 bilhões, o presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, descartou uma nova capitalização da companhia, a exemplo da ocorrida em 2010.

"Estamos tranquilos do ponto de vista financeiro. Não é possível garantir os recursos que a Petrobrás precisa apenas no mercado interno, mas o mercado externo estará aberto", disse Gabrielli. Ele lembrou que a companhia conseguiu captar US$ 6,5 bilhões em janeiro de 2009, no auge da crise financeira internacional.

Segundo Gabrielli, a empresa só não terá acesso a financiamentos no mercado "se o mundo acabar". "Somos uma empresa que está crescendo, com enorme potencial físico no pré-sal, com mercado interno em expansão onde dominamos", acrescentou.

O presidente da Petrobrás afirmou ainda que a viabilidade econômica para a construção de um quarto terminal de regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) depende do resultado do leilão de energia para daqui a três anos (A-3) que deve ser realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em agosto.

Atualmente, estão em operação dois terminais, nos Estados de Pernambuco e do Rio de Janeiro, e outro está previsto para ser construído na Bahia. "O quarto terminal pode vir ou não, e depende do leilão de energia elétrica A-3 e da exploração de gás na Bacia de Santos, o que só vamos saber daqui a dois anos", completou.

No leilão A-3 será definido o número de novas usinas termoelétricas a gás que devem entrar em operação em 2014.  

Petróleo

Gabrielli avaliou que o volume negociado de petróleo no mercado internacional atualmente é "muito financeiro e pouco real", criando a volatilidade que tem afetado os preços das ações da companhia. "Houve redução dos investimentos no mercado futuro de petróleo durante crise, que voltaram desde o início de 2010 e já estão quase no auge registrado em 2008", acrescentou.

Além disso, alegou o executivo, os preços também são influenciados pelo fato de a Petrobrás ter injetado um volume pesado de ações no mercado com a capitalização realizada no ano passado e esses papéis terem um volume muito grande de negócios no Brasil e nos Estados Unidos. "Leva um tempo para o mercado processar isso nos portfólios dos diversos investidores", completou.

Gabrielli também citou as incertezas em relação às economias japonesa, grega e americana, que adicionam volatilidade aos preços internacionais do petróleo. "Para completar, a Petrobrás divulga um gigantesco plano de investimento, o que cria expectativas e deixa os investidores com receios", concluiu. 

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