Gabrielli diz que alta do dólar aumenta custo e valoriza ativos da Petrobrás

'Para comparar uma coisa com a outra, só esperando fechar o balanço', disse o presidente da estatal

Kelly Lima, da Agência Estado,

27 de setembro de 2011 | 18h44

Apenas após o fechamento do balanço do terceiro trimestre deste ano será possível avaliar se a desvalorização cambial trouxe mais efeitos positivos ou negativos para a Petrobras, disse há pouco o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli. "A gente não faz análise de câmbio a cada carga que chega no País", disse destacando que sequer há um cálculo sobre quanto a companhia devera importa este ano.

"A velocidade da desvalorização do real foi muito grande, foi de 17% no mês e isso tem um impacto muito grande nos estoques de final de ano. Então isso afeta fortemente a dívida. Aumenta nossa dívida em reais, mas aumenta também nossos ativos em dólar. E para comparar uma coisa com a outra, só esperando fechar o balanço", disse, lembrando que, por outro lado, como a empresa tem importações e exportações, "o cenário muda a cada dia" de acordo com cada operação que é concluída. "O que eu quero dizer com isso é que não É claro se os efeitos são mais positivos ou mais negativos."

Gabrielli ainda frisou que a companhia está importando cargas de gasolina na medida em que o mercado demanda e que não há estimativas de quantas serão necessárias. Mas fez questão de destacar que a empresa não ré problemas de abastecimento. "O problema não está na gasolina, mas sim no álcool. Ou melhor, esta na cana, ou na falta dela", disse o executivo. "O problema que nós temos é que o investimento que não foi realizado na safra de cana de 2008 e 2009, quando houve safras ruins, está se refletindo agora. Era preciso ter plantado novas áreas e isso não foi feito", acrescentou.

"A gravidez da planta dura dois ou três anos. Então neste período teremos o fenômeno de escassez de álcool. Para saber se vai precisar ou não de importação neste período e de quanto vamos precisar dependemos de uma análise do crescimento do consumo verificado no período", concluiu. 

 

Cide

Sobre a redução da Cide, Gabrielli negou que a decisão tenha qualquer impacto sobre o caixa da companhia, como vinham afirmando ao longo do dia analistas de mercado. Segundo ele, a Petrobras apenas repassa a Cide para as distribuidoras e não é responsável pelo seu pagamento ao governo. "Nós recolhemos a Cide de acordo com o que determina o Ministério da Fazenda. Qual será o efeito disso na ponta nós não sabemos. A gasolina sai da refinaria a R$ 1,05, chegando na ponta do consumidor ao preço na bomba depois da inclusão dos impostos federais e estaduais, mais a margem dos distribuidoras e revendedores. Não temos controle sob este preço final", destacou.

Gabrielli refutou completamente que haja alívio da empresa e que a companhia estava reivindicando esta redução como forma de compensar seu caixa pelo aumento no volume de gasolina importada este ano em substituição ao etanol, e por conta do crescimento da demanda. "Não há qualquer diferença para a Petrobras. A companhia apenas repassa este tributo", garantiu em entrevista após participar da abertura de um congresso sobre sustentabilidade no Rio.

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