Gabrielli fala em congelar expansão internacional da Petrobrás

Segundo presidente da estatal, empresa deve 'otimizar' investimentos já feitos no mercado externo

Luciana Xavier, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 19h08

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, disse nesta quarta-feira, 19, que a estatal deverá se concentrar em otimizar os investimentos no mercado externo no lugar de fazer novos aportes. "Eu diria que agora vamos congelar nossa expansão e otimizar o que já temos internacionalmente", afirmou o executivo durante entrevista coletiva em Nova York.

Gabrielli evitou dizer se essa decisão tem relação com as incertezas no mercado externo, especialmente na Europa. O executivo ressaltou que a Petrobrás já está presente em 27 países e que investir em novas campanhas exploratórias sempre representa um risco. Gabrielli negou que a estatal tenha investimentos no Irã. "Já perfuramos dois poços, mas hoje não temos nenhuma atividade no país."

O presidente da estatal afirmou que a empresa conseguirá cumprir com o plano de investimentos de R$ 88,5 bilhões previstos para este ano. No primeiro trimestre, a Petrobrás investiu R$ 17 bilhões. Segundo Gabrielli, é normal que os investimentos sejam mais fracos no início do ano, período de verão no Brasil, e disse que a estatal não deve ter dificuldade para cumprir a meta. De acordo com o executivo, normalmente a Petrobrás consegue investir de 85% a 90% do previsto para o ano.

Gabrielli voltou a dizer que o plano de capitalização será mantido com ou sem a aprovação no Senado da cessão onerosa. Gabrielli disse que a votação deveria acontecer no dia 25 de maio, sem saber que nesta quarta o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), anunciou que o projeto deve ser votado no dia 9 de junho. "Ele (Jucá) sabe melhor do que eu", afirmou Gabrielli ao ser informado pelos jornalistas do anúncio do senador.

O presidente da Petrobrás afirmou ainda que a capitalização via títulos públicos que deverá ser adotada pela União também seria válida para os demais acionistas da empresa. "Isso é uma possibilidade, mas não há nenhuma decisão ainda a esse respeito. Por uma questão de justiça, todos os acionistas devem ter os mesmos direitos." O executivo recusou-se a estimar o valor potencial da capitalização, que deverá acontecer em julho. "Qualquer número é especulação", ressaltou.

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