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Gafisa fecha venda de fatia da Tenda

Fundo americano Jaguar deve adquirir até 30% do braço de imóveis de baixa renda da construtora após fracasso da abertura de capital da Tenda

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2016 | 22h10

Depois de cancelar o pedido de abertura de capital da Tenda, a construtora Gafisa anunciou nesta quarta-feira, 14, a venda de até 30% da sua divisão de imóveis econômicos para o fundo americano Jaguar Real State Partners. Sediada em Nova York, a Jaguar é uma gestora especializada em investimentos no setor imobiliário fora dos Estados Unidos.

Pelo acordo, o fundo pagará R$ 8,13 por ação, bem abaixo da faixa de preço sugerida para oferta inicial de ações (IPO, da sigla em inglês), que era de R$ 12,50 a R$ 16,50 por papel. Com isso, a Gafisa, que pretendia conseguir uma avaliação para a Tenda de pelo menos R$ 1,2 bilhão no IPO, fechou a operação de venda por um preço que atribui um valor de apenas R$ 539 milhões para a companhia.

Conforme já havia apurado o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a Gafisa estava com dificuldades para atrair investidores e a demanda pelas ações não teria alcançado nem metade da oferta, já considerando o preço mais baixo do intervalo dado como referência.

Segundo a Gafisa, o acordo com a Jaguar depende de condições que incluem redução do capital da Tenda em R$ 100 milhões, dos quais R$ 50 milhões serão pagos para a Gafisa até o fim de 2018 e o restante até final de 2019. Outra condição é redução do capital da Gafisa com restituição aos acionistas de ações correspondentes a 50% do capital da Tenda.

A Gafisa e a Tenda tinham contratado os bancos Itaú BBA, Bradesco BBI, BB Investimentos, Votorantim e Bank of America Merrill Lynch para coordenar o IPO.

Caixa. A operação revela uma postura pragmática do grupo, de acordo com gestores consultados pelo Broadcast. Mesmo sem obter o preço desejado na negociação, a companhia priorizou dar o último passo que faltava para a separação das empresas e reforçou o caixa para fazer frente à crise macroeconômica prolongada.

“A Gafisa precisa de caixa porque está difícil vender os imóveis do estoque, e os distratos estão altos”, avaliou um gestor especializado em empresas do mercado imobiliário. “No cenário difícil de hoje, liquidez é muito importante”, completou outro gestor especializado na área.

A companhia encerrou o terceiro trimestre com uma dívida líquida consolidada de R$ 1,4 bilhão e R$ 610 milhões no caixa, de acordo com dados do balanço mais recente. Já as dívidas com vencimento nos 12 meses seguintes totalizavam R$ 1 bilhão.

O fracasso da oferta inicial de ações da Tenda reacende uma discussão antiga do mercado, sobre a precificação das estreantes na Bolsa. A visão é de que, ao estruturarem uma oferta, os bancos de investimento precisarão reforçar sua análise para equilibrar o anseio das empresas, que querem maximizar o valor da oferta, e o dos investidores, que buscam pagar menos pela ação para melhorarem os retornos. A equação é complexa, mas precisa ser solucionada para o amadurecimento do mercado e para a chegada da tão esperada avalanche de aberturas de capital, afirmam analistas. “O fracasso de Tenda e a venda já no dia seguinte podem sim atrapalhar outras operações”, diz uma fonte de mercado.

A Tenda passou por um processo de reestruturação nos últimos anos, após ter prejuízo decorrentes de atrasos nas obras. A companhia reduziu o número de capitais onde atua, se especializou em imóveis dentro do Minha Casa Minha Vida e padronizou o modelo de comercialização. O grupo registrou um prejuízo líquido consolidado de R$ 72,6 milhões no terceiro trimestre deste ano, sendo que as operações da Gafisa reportaram um prejuízo líquido de R$ 95,7 milhões, enquanto o segmento Tenda apresentou um lucro de R$ 23,0 milhões. / CIRCE BONATELLI, MARCELLE GUTIERREZ, FERNANDA GUIMARÃES

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