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Elói Corrêa/Divulgação
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Galvão Engenharia, envolvida na Lava Jato, pede recuperação judicial

Investigações da PF que colocam a empresa dentro do esquema de corrupção na Petrobrás levaram a uma rápida deterioração das finanças; pedido de recuperação, porém, não envolve as subsidiárias CAB Ambiental, Galvão Óleo e Gás, BR-153 e Galvão Finanças

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

25 de março de 2015 | 19h10

Depois de meses de tentativas frustradas para levantar dinheiro no mercado e tocar os negócios, o Grupo Galvão entrou nesta quarta-feira com pedido de recuperação judicial das empresas Galvão Engenharia e Galvão Participações. A companhia, que ocupava a sexta posição no ranking de construtores no Brasil, está envolvida na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e negocia um acordo de leniência com a Controladoria-Geral da União (CGU) ao lado de grupos como OAS, Engevix, SOG Óleo e Gás e SBM Offshore.

A recuperação judicial é uma medida legal para evitar a falência de uma empresa. Se aceita pelo juiz, a companhia terá um prazo para apresentar um plano para organizar as finanças e pagar os credores. O pedido feito nesta quarta-feira, na Justiça do Rio de Janeiro, não inclui as subsidiárias CAB Ambiental, Galvão Óleo e Gás, Concessionária de Rodovias Galvão BR-153 e Galvão Finanças. Apesar disso, algumas dessas empresas estão sofrendo reflexo da operação que investiga corrupção em contratos da Petrobrás e também podem ter graves prejuízos.

No caso da CAB, empresa de saneamento, a agência de classificação de risco Fitch Rating rebaixou a nota das debêntures da empresa; e, na BR-153, a Galvão não conseguiu o empréstimo-ponte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para iniciar as obras de duplicação de 10% da estrada, como previsto em contrato. Se não cumprir as regras, no limite, a empresa pode perder a concessão da rodovia, de 624 quilômetros leiloada pelo governo federal em 2014.

A via crúcis do grupo começou com a sétima fase da Operação Lava Jato, desencadeada na primeira quinzena de novembro. Foram presos executivos de várias construtoras, como Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior, UTC, Engevix, Queiroz Galvão e Galvão Engenharia. Imediatamente as agências de rating rebaixaram as notas das empreiteiras e o crédito secou. Além disso, os pagamentos da Petrobrás foram paralisados.

“O pedido de recuperação judicial decorre da atual condição financeira da Galvão Engenharia e suas consequências na Galvão Participações (emissora de debêntures), situação agravada pela inadimplência de alguns de seus principais clientes, dentre eles a Petrobrás”, afirmou a empresa, em nota. Segundo a Galvão, além de dívidas vencidas, a empresa tem cerca de R$ 900 milhões a receber da estatal, que paralisou todos os pagamentos desde 2014. “A estatal não honrou pagamentos de serviços adicionais executados, por ela solicitados e atestados.”

Sem dinheiro, a Galvão fechou a divisão de engenharia industrial, mais ligada aos projetos da Petrobrás, parou de pagar fornecedores e credores (só na Justiça paulista há sete ações de execução de títulos extrajudiciais), paralisou obras e começou a demitir. Neste ano, dispensou 9 mil funcionários em grandes obras como Ferrovia da Integração Oeste-Leste, BR-153 e Anel Viário de Fortaleza.

Na semana passada, depois de sucessivas negociações com os credores, a empresa não conseguiu adiar o pagamento de debêntures vencidas em fevereiro. Com a inadimplência, outros credores puderam antecipar vencimentos de companhias do grupo, como a CAB.

Segundo fontes, a CAB pode ser vendida ao grupo GP Investments. Ainda assim, o dinheiro não seria suficiente para sanar os problemas da Galvão, que nega participação em qualquer tipo de suposto “cartel”. “Em depoimento, testemunha de acusação no processo judicial em curso confirma que a Galvão Engenharia não participava do suposto ‘clube’ sob investigação”, afirma a empresa.

Empreiteiras sob pressão.Arrocho no crédito, pressão de credores e investidores sem segurança para comprar ativos tiram o fôlego financeiro das empresas envolvidas direta ou indiretamente na Operação Lava Jato. Nesse cenário, a recuperação judicial apresenta-se como alternativa de sobrevivência. Além da Galvão, outras companhias envolvidas na Lava Jato passam por dificuldades.

Em 2014, a Iesa já havia entrado em recuperação judicial. Em janeiro, foi a vez da Alumini, que prepara um plano para apresentar aos credores, de R$ 1 bilhão. A Engevix, sócia dos aeroportos de Brasília e São Gonçalo do Amarante (RN), vendeu uma subsidiária para fazer frente aos compromissos, como investimentos e pagamento de dívidas. A OAS deixou de pagar títulos vencidos e corre o risco de entrar em recuperação judicial. Com isso, um grande obstáculo se antepõe à recuperação da economia: um amontoado de obras paradas.

Em nota, a Petrobrás afirmou que está em dia com suas obrigações contratuais, e que os pagamentos dos compromissos reconhecidos com as contratadas são realizados de acordo com a legislação vigente e os prazos contratuais. “Eventualmente, empresas contratadas apresentam pleitos de pagamentos adicionais, que são submetidos a avaliação. Eventuais pleitos não representam a existência de dívida por parte da Petrobrás.”

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