Ganho de sinergias com integração com Real chegam a R$ 1,446 bi, calcula Santander

Processo de integração caminha para sua fase final e deve terminar no início de 2011

Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado,

29 de julho de 2010 | 11h41

O processo de integração do Banco Real gerou ganhos de sinergias de R$ 1,446 bilhão ao Santander desde o início da junção, que começou no segundo semestre de 2008. Esses ganhos superam as previsões do banco em R$ 245 milhões. No momento, o Santander faz a integração das marcas e do atendimento.

O processo de integração caminha para sua fase final e deve terminar no início de 2011. O Santander vai aproveitar a Fórmula-1, evento do qual é patrocinador, para mudar a rede de agências do Banco Real, que vão passar a ter a marca Santander. As fachadas das agências já estão sinalizadas internamente com as cores do banco espanhol, o vermelho, mas por fora ainda têm a marca Real. Vai ser na semana da Fórmula-1, em novembro, que as fachadas serão mudadas.

"Nosso principal objetivo é não causar interrupções para os clientes, que são muito sensíveis a mudanças", disse o presidente do Grupo Santander Brasil, Fabio Barbosa, em entrevista à imprensa para comentar os resultados do banco.

Segundo Barbosa, a maior parte do processo de integração já foi feita e inclui a junção das operações de seguro e cartões de crédito. "O processo foi em ondas e envolveu toda a base", disse ele. Só as operações de "cash management" (serviços de pagamentos e recebimentos para empresas) que serão integrados no início de 2011. Segundo o presidente do banco, 95% do volume de operações está sendo integrado neste semestre.

Crescimento

O crescimento das operações de crédito do Santander, que ficaram acima da média do setor privado no período, foi um dos fatores que contribuiu para aumentar o lucro no Brasil. No segundo trimestre, a expansão foi de 4,7% e, na comparação com junho do ano passado, de 9,2%. "Queremos continuar crescendo mais que os bancos privados", disse o presidente, ressaltando que o Santander não dá previsões.

As pequenas e médias empresas foram as grandes responsáveis pelo aumento da expansão do crédito, segundo Barbosa. O banco reestruturou toda a área, contratou gerentes e continuará ampliando o quadro. Estão previstas 500 contratações para atuar com pessoa jurídica nos próximos meses.

Dentro das linhas de pessoa física, Barbosa destacou a expansão de 31% no crédito consignado no primeiro semestre ante igual período do ano passado. O financiamento de veículos aumentou 7,6% e o imobiliário, 29,6%.

Sobre as taxas de inadimplência, que caíram pelo terceiro trimestre consecutivo, Barbosa diz que o cenário é benigno. "Economia forte significa inadimplência menor", diz ele, sem afirmar se as taxas devem cair mais dentro do banco. O banco não fez provisões adicionais no segundo trimestre.

O Brasil caminha para ter a maior participação no resultado global do Santander, superando a Espanha. No primeiro semestre, o lucro brasileiro respondeu por 22% do resultado global do banco, mesmo porcentual da Espanha. Segundo Barbosa, mantido o atual cenário, de crescimento maior aqui e nos outros países, isso pode acontecer já no terceiro trimestre. A Espanha respondia por cerca de 26% do resultado global e o Brasil por 19%, com base em dados do ano passado. Neste semestre, o lucro aqui cresceu 44% e o resultado global do banco encolheu 1,6%.

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