Ganho do Santander com Real chega a R$ 1,446 bilhão

O processo de integração do Banco Real gerou ganhos de sinergias de R$ 1,446 bilhão ao Santander desde o início da junção, que começou no segundo semestre de 2008. Esses ganhos, segundo informou hoje o banco, superam as previsões em R$ 245 milhões. No momento, o Santander faz a integração das marcas e do atendimento.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, Agencia Estado

29 de julho de 2010 | 12h52

O processo de integração caminha para sua fase final e deve terminar no início de 2011. O Santander vai aproveitar a Fórmula 1, evento do qual é patrocinador, para mudar a rede de agências do Banco Real, que passarão a ter a marca Santander. As agências já estão sinalizadas internamente com as cores do banco espanhol, mas por fora ainda têm a marca do Real. Na semana da Fórmula 1, em novembro, as fachadas serão mudadas.

"Nosso principal objetivo é não causar interrupções para os clientes, que são muito sensíveis a mudanças", disse o presidente do Grupo Santander Brasil, Fabio Barbosa, em entrevista à imprensa para comentar os resultados do banco. Segundo ele, a maior parte do processo de integração já foi feita e inclui a junção das operações de seguro e cartões de crédito. "O processo foi em ondas e envolveu toda a base", disse. Apenas as operações de cash management (serviços de pagamento e recebimento para empresas) serão integradas no início de 2011. De acordo com o presidente do banco, 95% do volume de operações estão sendo integrados neste semestre.

Crédito

O crescimento das operações de crédito do Santander, que ficaram acima da média do setor privado no período, foi um dos fatores que contribuiu para aumentar o lucro no Brasil. No segundo trimestre, a expansão foi de 4,7% e, na comparação com o mesmo período do ano passado, de 9,2%. "Queremos continuar crescendo mais que os bancos privados", disse hoje o presidente do banco, Fabio Barbosa, ressaltando que o Santander não dá previsões.

As pequenas e médias empresas foram as grandes responsáveis pelo aumento da expansão do crédito, segundo Barbosa. O banco reestruturou toda a área, contratou gerentes e continuará ampliando o quadro. Estão previstas 500 contratações para atuar no segmento de pessoa jurídica nos próximos meses. Dentro das linhas de pessoa física, Barbosa destacou a expansão de 31% no crédito consignado no primeiro semestre ante igual período do ano passado. O financiamento de veículos aumentou 7,6% e o imobiliário, 29,6%.

Sobre as taxas de inadimplência, que caíram pelo terceiro trimestre consecutivo, Barbosa diz que o cenário é benigno. "Economia forte significa inadimplência menor", disse, sem afirmar se as taxas devem cair mais. O banco não fez provisões adicionais no segundo trimestre.

O Brasil caminha para ter a maior participação no resultado global do Santander, superando a Espanha. No primeiro semestre, o lucro brasileiro respondeu por 22% do resultado global do banco, mesmo porcentual da Espanha. Segundo Barbosa, mantido o atual cenário, de crescimento maior aqui e nos outros países, isso pode acontecer já no terceiro trimestre. A Espanha respondia por cerca de 26% do resultado global e o Brasil por 19%, com base em dados do ano passado. Neste semestre, o lucro no País cresceu 44% e o resultado global do banco encolheu 1,6%.

Inadimplência

O Santander registrou queda das taxas de inadimplência pelo terceiro trimestre consecutivo. No segundo trimestre de 2010, o indicador ficou em 6,6% no padrão IFRS de contabilidade, abaixo dos 7% registrados no primeiro trimestre. As despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) tiveram queda de 6,3% ante o período anterior e ficaram em R$ 2,3 bilhões.

Já a carteira de crédito atingiu R$ 146,529 bilhões (padrão IFRS), um aumento de 4,7% no segundo trimestre ante o período anterior e de 9,2% nos 12 meses encerrados em junho. O destaque de crescimento foi registrado no segmento de grandes empresas, com expansão de 6,7% e volume de R$ 42,240 bilhões. O segmento de pessoa física subiu 4,4% e o de pequenas e médias empresas, 4,7%.

O Índice de Basileia, que mede o quanto o banco pode emprestar no crédito sem comprometer seu capital, ficou em 23,4% no segundo trimestre, o maior entre os grandes bancos no Brasil. Ontem, o Bradesco anunciou um Índice de Basileia de 15,8%. Em relação ao primeiro trimestre de 2010, o índice caiu 1 ponto porcentual. Na comparação com junho de 2009, houve alta de 6,4 pontos porcentuais.

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