Gás terá mais peso na matriz que hidrelétrica em 2030, diz EPE

A escassez de gás natural noBrasil deve se prolongar até 2008, mas no longo prazo ocombustível vai ultrapassar a energia hidrelétrica na matrizenergética brasileira, afirmou nesta terça-feira o presidenteda Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Segundo estudos da EPE, o peso do gás natural vai passardos atuais 9 por cento da matriz energética para 16 por centoem 2030 --enquanto o peso da hidrelétrica será de 14 por centonaquele ano. A EPE também prevê uma redução da dependência externa dogás de 52 para 27 por cento em 2030, estimou o executivo. O cenário leva em conta um crescimento do Produto InternoBruto de 4,8 por cento ao ano, e preço do gás naturalequivalente a 80 por cento do óleo combustível, tambémutilizado por usinas termelétricas. "No curto prazo existe déficit de gás, mas hoje a situaçãohidrológica nos permite passar por isso sem problemas", disseTolmasquim durante palestra em seminário sobre gás na Federaçãodas Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Ele citou como fatores que levarão ao aumento da oferta osprojetos da Petrobras como o Plangas e a introdução do GásNatural Liquefeito (GNL) na matriz energética. "Com o Plangas a oferta aumenta em 40 milhões de metroscúbicos já em 2008, e mais os 20 milhões de GNL que tambémcomeça em 2008", contabilizou. Ele lembrou que a Petrobras já anunciou que irá elevar aoferta de GNL em mais 10 milhões de metros cúbicos e procura umlocal para instalar o terceiro terminal, provavelmente no Suldo país, já que os dois primeiros ficarão no Ceará e Rio deJaneiro. Ele não descartou também, no longo prazo, uma expansão nogasoduto Bolívia-Brasil, para possibilitar o aumento do enviode gás natural boliviano. "Hoje a Bolívia não tem gás suficiente para atender todosos contratos, mas não acharia impossível daqui a 15 anos sefalar em uma expansão do Gasbol, o governo de lá não vai quererdeixar as reservas sem exploração", afirmou Tolmasquim. Para atender o aumento de carga para o Brasil, que temprioridade no atendimento do gás boliviano, a Bolívia teve quereduzir o gás enviado à Argentina e suspender o fornecimento àusina Mário Covas, em Cuiabá, Mato Grosso. Segundo Tolmasquim, a Petrobras solicitou o envio de maisgás para atender os testes que estão sendo realizados pelaagência reguladora do setor, Aneel, a fim de mapear quaistérmicas teriam condições reais de entrar em operação. (Por Denise Luna)

REUTERS

04 de setembro de 2007 | 16h09

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