Geladeiras e fogões já são vendidos com prazo de 2 anos e meio para pagar

Com planos de pagamento inéditos, grandes redes varejistas indicam que os financiamentos longos devem ganhar força neste Natal

Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo,

19 de outubro de 2010 | 22h30

Grandes redes varejistas já começam a esticar os prazos de pagamento de eletrodomésticos, eletrônicos e equipamentos de informática, ainda de forma promocional. Essa é uma clara indicação de que os financiamentos longos devem ganhar força neste Natal. Hoje é possível quitar uma máquina de lavar em dois anos e meio, um televisor em dois anos e um computador em um ano e meio.

"Nunca oferecemos um prazo sem juros tão longo. Esses planos são inéditos", afirma o diretor de Negócios do Carrefour Soluções Financeiras, Ricardo da Cruz Barreto. Desde setembro, mês de aniversário da companhia, a rede parcela no cartão de crédito próprio os eletrodomésticos da linha branca em 30 meses sem juros, aparelhos de áudio e vídeo em 24 meses e itens de informática em 18 meses. Os resultados foram tão favoráveis que a rede decidiu estender essa condição de pagamento até o fim do ano.

Por ocasião também do seu aniversário comemorado neste mês, o concorrente Walmart começou em outubro a dividir em até 12 meses, sem acréscimo, o pagamento de uma lista de itens como computadores, geladeiras, máquinas fotográficas, por exemplo. A facilidade inclui não apenas produtos das lojas físicas, mas também as vendas online. No Extra, os eletroeletrônicos também são financiados com prazos que chegam a 18 meses no cartão próprio.

Já no Ponto Frio a condição de um ano e meio para pagar com cartão da rede vale só para produtos anunciados. Enquanto isso as Casas Bahia oferecem os prazo mais curtos em relação ao da concorrência: cinco vezes sem juros no cartão próprio e dez vezes, sem acréscimo, nos cartões de crédito tradicionais.

"Existe uma perspectiva de alongamento maior de prazos de pagamento até o fim do ano", prevê o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira. A última pesquisa sobre prazos de pagamento feita pela entidade revela que, no mês passado, o prazo médio dos financiamentos, inclusive os bancários, era de 16 meses, e o máximo chegava a 36 meses. No caso de veículos, o prazo médio estava em 44 meses e o máximo em 80 meses.

Para Ribeiro de Oliveira, um conjunto de fatores vai fazer com que lojas, bancos e financeiras estiquem o número de prestações até dezembro. O aumento do emprego, da renda, a estabilidade de preços e, especialmente, a forte entrada de divisas no País, devem acirrar a disputa entre os agentes econômicos para ampliar os negócios no melhor momento de consumo do ano, quando é pago o 13º salário. "Todos vão ampliar prazos para não perder vendas."

Além disso, Ribeiro de Oliveira observa que a perspectiva de que taxa básica de juros fique estável nos próximos 45 dias, como deve ser sinalizado hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), reforça a tendência de prazos mais longos.

Barreto, do Carrefour, diz que a sua empresa saiu na frente da concorrência. Ele não acredita que, no seu caso, ocorram novos alongamentos de condição de pagamento.

Riscos

Apesar de aumentar as vendas e tornar o cliente fiel à loja, prazos longos têm um componente de risco, porque em dois anos e meio de financiamento a vida das pessoas pode mudar muito, admite Barreto. Mas, no caso da sua empresa, esse risco é atenuado com o seguro contra desemprego para os assalariados ou perda de renda para os profissionais autônomos. "Cerca de 40% dos clientes do nosso cartão têm esse seguro."

Ribeiro de Oliveira observa que a inadimplência do consumidor é cadente desde de dezembro de 2009, segundo dados do BC. "Não é à toa que os bancos estão reduzindo os juros."

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