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Gigante BRF dá início à mudança de sua gestão

Dois executivos da companhia deixaram seus cargos; agência de risco S&P alterou perspectiva de rating para negativa

Mônica Scaramuzzo, Gustavo Porto, Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2017 | 21h13

Três semanas após anunciar o primeiro prejuízo anual de sua história, a BRF, união da Sadia e Perdigão, começou a reestruturar sua gestão. O vice-presidente de marketing da companhia, Rodrigo Vieira, deixou a empresa, apurou o Estado.

Há cerca de um mês, Marcos Jank, que ocupava o cargo de diretor de assuntos corporativos e desenvolvimento de negócios da BRF na Ásia desde 2015, também deixou de ser executivo da gigante de alimentos. Agora, atua como consultor independente.

As mudanças na gestão devem continuar, segundo fontes. No dia 24 de fevereiro, Abilio Diniz, presidente do conselho de administração do grupo, afirmou ao mercado que constituiu um comitê para reformular a companhia. Passaram a integrar esse comitê Walter Fontana Filho (ex-presidente do conselho da Sadia), Eduardo D’Ávila (ex-Sadia) e José Carlos Magalhães, fundador do fundo Tarpon.

O empresário Abilio Diniz disse, à época, que esse comitê iria se reunir semanalmente para preparar a reestruturação do grupo nos próximos 90 dias.

Nota revista. Nesta quinta-feira, 9, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) afirmou o rating ‘BBB’ da BRF e revisou a perspectiva de estável para negativa. Segundo a agência, a perspectiva negativa reflete a probabilidade de 33% de um rebaixamento nos próximos 12 a 18 meses, caso as margens operacionais e os níveis de alavancagem da companhia não se recuperem. Em 2016, a companhia registrou um prejuízo de R$ 372 milhões, ante um lucro de R$ 2,9 bilhões no ano anterior.

A companhia poderia ser prejudicada pela volatilidade do câmbio e dos preços de grãos, que reduziria o lucro com exportações e elevaria os custos, disse a S&P.

O cenário também leva em consideração a concorrência ainda acirrada no Brasil, em meio à fraca demanda que impede a recuperação do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia, principalmente em produtos processados, que têm margens mais altas. Procurada, a companhia não comentou as mudanças em seu gestão.

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