Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Gigantes de impressão se digitalizam

Após perder dois terços de sua receita em uma década, a Xerox desenvolve serviços de gestão de documentos, enquanto a rival Epson aposta em soluções para indústrias

Lucas Agrela, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2022 | 05h00

O nome Xerox é sinônimo de fotocópias, mas o negócio, que já vinha perdendo força, sofreu outro duro golpe durante a pandemia de covid-19, que fechou escritórios em todo o mundo. Diante desse cenário, a Xerox e outras empresas vêm tentando se reinventar, partindo para serviços de digitalização de documentos e buscando ofertar alternativas mais especializadas de impressão.

Os números do mercado de impressão mostram bem essa necessidade de reinvenção: segundo a consultoria IDC Brasil, o setor de impressão teve queda de 16,6% no faturamento em 2020, ante o ano anterior. Segundo Reinaldo Sakis, gerente de pesquisa da IDC, apesar de altas discretas previstas para 2022 e 2023, o segmento não vai retomar os patamares de 2019.

Os dados de 2021 da Xerox refletem claramente o problema: no ano passado, a companhia faturou US$ 7 bilhões. No entanto, o negócio já foi muito maior: em 2012, o faturamento da companhia havia somado US$ 22,4 bilhões. Após perder dois terços de sua receita, a companhia buscou saídas: agora oferece também serviços para digitalização e gestão de documentos com o uso de inteligência artificial

A Xerox caminha para se tornar uma empresa mais ligada ao software, apesar de fotocopiadoras, scanners e impressoras ainda estarem na jogada. “Vendemos novos produtos para os nossos próprios clientes”, diz Ricardo Karbage, líder da divisão de negócios corporativos para a América Latina.

Um dos novos esforços da Xerox é um projeto com o Bradesco. A empresa fornece à instituição uma solução digital de contas a pagar que reduz a exposição a multas, atrasos ou erros comuns de trabalho manual. Uma vez digitalizados, os dados contidos em documentos físicos ou digitais são inseridos diretamente no programa de gestão financeira do banco.

No mesmo barco

A Epson vive situação parecida – sua receita caiu para US$ 8,9 bilhões em 2020, ante US$ 9,6 bilhões de 2019. A aposta também tem sido a diversificação, com o fornecimento de projetores de imagens para eventos e impressão em tecidos, por exemplo.

A empresa também busca ampliar o acesso de negócios menores a seus serviços. “O novo empresário, ou aquele que não tem capital de giro, precisa conseguir crédito para o pagamento com a receita gerada pelo equipamento”, diz Henrique Sei, diretor-presidente da Epson no Brasil. 

Tendência é de redução do uso de papel em escritórios

A definição de metas para a redução de uso de documentos impressos para diminuir a pegada ambiental deixada por empresas de todo o mundo não deve eliminar de vez o papel nos escritórios. No entanto, a pandemia acelerou a tendência de retração do setor, que antes era mais lenta.

Levantamento da consultoria IDC Brasil indica que foram impressas 2,8 trilhões de páginas no mundo em 2020, um tombo de 14% ante 2019, depois de anos de uma redução progressiva, mas lenta. Na América Latina, 55% das impressões foram feitas em escritórios, 15% em escolas e 35% em ambientes pessoais.

“As impressoras e o papel não vão sumir, mas será algo mais nichado e menor. Fazendo um paralelo, é como o que ocorreu com o vinil, que não desapareceu, porém é um nicho, com margens melhores do que no passado, mas com um mercado pequeno”, afirma Arthur Igreja, professor da FGV e especialista em novas tecnologias. 

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