Glencore e Vale lutam por ganhos em acordo por Xstrata

A Vale e a trading de commoditiesGlencore terão enormes ganhos se conseguirem resolver a disputapor direitos de comercialização, impasse que trava asnegociações para a aquisição da Xstrata pela mineradorabrasileira. Informações importantes que vão de acordos ao mercado decommodities são o segredo do sucesso da Glencore, que devemanter a pressão para ampliar os direitos nas negociações numaeventual compra da Xstrata pela Vale por cerca de 90 bilhões dedólares. A Vale afirmou que as negociações chegaram a um impassedevido às exigências da Glencore, maior acionista da Xstrata,sobre os direitos de comercialização dos produtos da empresafinal. "Para a Glencore, é disso que se trata o acordo (deaquisição), os direitos de comercialização são tão valiosospara eles porque com base nisso eles conseguem informações",disse um gerente de um hedge fund em Londres que pediu para nãoser identificado. "As opções que eles podem conseguir com a combinação com aVale é enorme". As três partes teriam concordado com um preço de cerca de45 libras por ação pela Xstrata, que tem base na Suíça e élistada em Londres, e com a estrutura do acordo com pouco maisde 50 por cento em ações e o resto em dinheiro, disseram naquinta-feira fontes próximas à situação. De acordo com as fontes, as partes, ainda divididas sobre aquestão dos direitos de comercialização, deram um tempo nasnegociações para avaliar suas posições. INFORMAÇÕES A questão dos direitos de comercialização superou o preçocomo a principal questão de barganha, já que a Glencoreconstruiu seu negocócio em torno de informações decisivas dosdois lados da equação oferta/demanda --operações de mineração eclientes-- já que negocia uma série de materiais, de carvão acobre. A suíça Glencore, que tem participação de 35 por cento naXstrata, exigiu contratos de 10 anos para comercializar aprodução da empresa resultante, exceto o minério de ferro,disseram fontes. A Vale oferece apenas contratos de cinco anos, excluindotanto o minério de ferro quanto o níquel. O presidente da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil eum dos principais acionistas da Vale, Sérgio Rosa, disse estasemana no Brasil que além do minério e do níquel, acomercialização do carvão também deveria ficar com a Vale. Estima-se que o atual acordo da Glencore com a Xstratavalha de 200 a 400 milhões de dólares por ano em renda, mas ovalor pode dobrar se forem adicionados os metais não-ferrososda Vale, disse a Bernstein Research em nota. Outro gerente de hedge fund em Nova York disse que osdireitos de comercialização são valiosos, mas não devem ser oque vai impedir um acordo. "Estimamos que valha algo entre 1 e 3 bilhões em valoreslíquidos, então se isso for colocado no contexto dos 30 bilhõesde dólares que a Glencore terá, é muito pequeno", disse ele. A Vale é o maior produtor de mundo de minério de ferro e aaquisição da Xstrata daria a ela o topo do ranking também emníquel. Bernstein concorda que um acordo é provável. "Acreditamos que a Glencore lucra muito mais com aapreciação de capital e dividendos em seu investimento naXstrata do que com os ganhos comerciais por acordos decomercialização, e, portanto, ficaríamos surpresos se aGlencore abandonar um acordo em potencial com a Vale apenasnessa base", disse. Já a Vale lucraria com a aquisição da Xstrata não somenteem sinergia e tamanho, mas também ao absorver o conhecimento daGlencore. (Reportagem adicional de Eleanor Wason)

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