GM faz acordo com sindicato, mas nova fábrica em São José continua indefinida

Nova fábrica poderá ser viabilizada a partir de 2017, com investimentos previstos de R$ 2,5 bilhões; decisão sobre escolha da cidade será tomada pela matriz da GM em julho

Gustavo Porto, da Agência Estado ,

11 de junho de 2013 | 11h49

SÃO PAULO - A General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos anunciaram, no inicio da madrugada desta terça-feira, 11, um acordo trabalhista que poderá viabilizar uma nova fábrica da montadora na cidade do Vale do Paraíba, a partir de 2017, com investimentos previstos de R$ 2,5 bilhões.

Pela proposta, que ainda será votada pelos metalúrgicos, os funcionários contratados para a fábrica terão piso salarial de R$ 1,7 mil e uma Participação nos Lucros e Resultados de R$ 10 mil, 65% do valor atual, ambos reajustados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (INPC) após um ano. O acordo valerá por dois anos, passível de renovação por até mais quatro anos.

No entanto, o diretor de Assuntos Institucionais da GM e presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, ressaltou que a montadora ainda não escolheu a cidade para sediar a nova fábrica. "O acordo não é o ideal, não faz com que possamos garantir que o investimento será decidido para a cidade, mas traz condições para São José competir", disse. "Vai depender de outras propostas para que possamos ter a boa ou a má notícia por parte da empresa", completou o executivo.

Moan avaliou que a matriz da GM deve anunciar até o início de julho se São José dos Campos foi ou não escolhida para receber o investimento da montadora. A nova fábrica deve ainda manter o nível de emprego da atual linha de montagem do Classic, onde trabalham 750 funcionários, que será desativada até 2014. "Podem ser mais (funcionários) ou podem ser menos", ressaltou o executivo.

Como a possível nova unidade só iniciará a produção em 2017, esses 750 empregados serão dispensados, inicialmente por meio de um Programa de Demissões Voluntárias (PDV). "Serão três tipos de PDV: um normal, outro para aposentados e outros para os que estão prestes a se aposentar", explicou Moan.

Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, lembrou que o acordo definido ontem não vale para outros empregados do complexo industrial de São José dos Campos da GM, onde são produzidos veículos e autopeças e cujos salários iniciais variam de R$ 3.001 a R$ 3.800. "Essas pessoas admitidas em 2017 também não poderão ser transferidas", disse.

Macapá afirmou ainda que os funcionários dispensados da linha de montagem do Classic terão prioridade para serem recontratados na nova fábrica da GM e admitiu a insegurança quanto à possibilidade de ela não ser instalada na cidade paulista. "No entendimento do sindicato, o acordo não pode ser colocado como uma vitória. Com a guerra fiscal, propostas de outras cidades e Estados surgem e as empresas se aproveitam para usar isso com arma ao negociar com os trabalhadores", afirmou.

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