Roosevelt Cassio/Reuters
Roosevelt Cassio/Reuters

GM propõe reajuste salarial zero em 2019 em São José dos Campos

Salários só voltariam a ser reajustados pela inflação em 2021; montadora ameaça deixar o País caso não volte a operar no azul no curto prazo

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2019 | 15h27

Como parte do esforço para conter custos no Brasil, a General Motors propôs aos trabalhadores da fábrica de São José dos Campos, no interior paulista, que não haja reajuste salarial em 2019. Em 2020, o aumento seria de 60% da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). A reposição total pela inflação, segundo o mesmo índice, só voltaria em 2021.

Para amenizar a falta de reajuste nos salários em 2019, a empresa ofereceu abono salarial de R$ 2,5 mil. Para 2020, já com a reposição parcial da inflação, o abono cairia para R$ 1,5 mil. Em 2021, com a reposição total, deixa de haver abono.

A General Motors, líder em vendas de carros no País, busca apoio para um novo plano de investimentos na casa dos R$ 10 bilhões, valor próximo aos R$ 13 bilhões aplicados nos últimos cinco anos. Dos governos, a empresa espera benefícios fiscais; dos fornecedores, redução de custos; dos concessionários, menos comissão nas vendas; e dos trabalhadores, corte de salários e dos benefícios. Sem essas “contribuições”, a montadora ameaça deixar o País.

A proposta, que envolve outras nove questões, foi feita após seis rodadas de negociações com o sindicato dos metalúrgicos da cidade. Os funcionários da fábrica farão uma votação amanhã para decidir se aceitam ou não.

A negociação foi iniciada em janeiro depois de a montadora ameaçar deixar de produzir no Brasil caso não voltasse a ter lucro em 2019, depois de três anos seguidos de prejuízo. Para isso, a empresa buscar reduzir custos trabalhistas nas fábricas de São José dos Campos e São Caetano do Sul, além de negociar com o governo do Estado a antecipação de créditos acumulados no ICMS.

Em São José, a GM começou as conversas com 28 reivindicações. Após as rodadas de negociações, a pauta caiu para 10 pontos. Em um deles, que toca no piso salarial de novos contratados, houve recuo da montadora. No início, a empresa queria reduzir o piso de R$ 2,3 mil para R$ 1,6 mil, uma queda de 30%. Agora, propõe redução para R$ 1,7 mil nesse momento, com aumento para R$ 1,8 mil em setembro.

A empresa chegou a abrir negociações os metalúrgicos da fábrica de Gravataí, no Rio Grande do Sul, mas desistiu de todas as reivindicações em menos de uma semana. A fábrica de Gravataí, responsável pela produção da maioria das versões do Onix, carro mais vendido do Brasil, é a que está em melhor situação. A preocupação é que, se não houver acordos em São Paulo, a montadora pode concluir que não faz sentido manter só a unidade gaúcha, dado que perderia participação de mercado.

Os demais pedidos também envolvem mudanças nas participações dos trabalhadores em resultados e redução gradativa do adicional noturno até 2021, de 27% para 20%. Os novos admitidos já entrariam com 20%. Para horas extras, a empresa quer a exclusão dos limites de 29 horas no mês ou 275 horas no ano.

Além disso, propõe garantia de emprego ao funcionário acidentado e com doença profissional e manutenção da estabilidade aos acidentados e portadores de doenças ocupacionais para os atuais trabalhadores. Aos novos contratados, ficaria assegurada a legislação vigente.

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