JEFF KOWALSKY/AFP
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GM quer fechar fábricas no Canadá e EUA

Corte de custos inclui fechamento de 5 unidades e demissão de 15 mil até o fim de 2019; empresa vai focar em veículos elétricos e autônomos

O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2018 | 04h00

DETROIT E SÃO PAULO - A General Motors anunciou na segunda-feira, 26, que estuda fechar cinco fábricas nos Estados Unidos e Canadá e demitir quase 15 mil funcionários até o fim de 2019, o equivalente a 15% da mão de obra na América do Norte. Outras duas unidades fora dessa região também devem encerrar atividades, mas a empresa não informou os locais. Com a medida, a GM quer cortar custos e focar em veículos elétricos e autônomos.

Procurada, a GM brasileira informou que “não está anunciando nenhuma ação relacionada a fábricas fora da América do Norte neste momento”. O grupo tem cinco unidades no Brasil.

O anúncio marca a mais extensa reestruturação da maior montadora de veículos da América do Norte desde que decretou falência e foi resgatada pelo governo americano há uma década, assim como a Chrysler, que foi comprada pela Fiat.

A GM vai tirar vários automóveis movidos a combustão de linha e pretende focar investimentos em utilitários-esportivos (SUVs), picapes, carros elétricos e autônomos.

O grupo afirmou que assumirá despesas relacionados aos cortes de US$ 3 bilhões a US$ 3,8 bilhões, mas espera que as medidas melhorem o fluxo de caixa livre anual em US$ 6 bilhões até o fim de 2020.

A montadora planeja interromper a produção em três fábricas em Ohio e Michigan (Detroit), nos EUA, e Ontário, no Canadá. Com isso, deixará de produzir modelos como Cadillac CT6, o híbrido Volt e o sedã Cruze (que é vendido no Brasil, mas importado da Argentina). Também deverão ser desativadas duas unidades de motores e transmissões em Maryland e Michigan. No início do ano, a companhia já havia confirmado o fechamento de uma filial na Coreia.

A companhia planeja reduzir o investimento anual para US$ 7 bilhões até 2020, ante média de US$ 8,5 bilhões por ano entre 2017 e 2019. A presidente executiva da GM, Mary Barra, disse que “essa indústria está mudando muito rapidamente” e ressaltou que “essas são as medidas que estamos fazendo para fortalecer nosso negócio principal”.

As concorrentes Ford e Fiat Chrysler também anunciaram recentemente redução de produção nos EUA. A Ford informou em abril que vai parar de produzir quase todos os carros de passeio na América do Norte e também focar nos SUVs.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter informado Mary Barra que estava infeliz com a decisão da empresa. “Vocês sabem que este país fez muito pela General Motors. É melhor vocês voltarem atrás.”

Brasil. Das cinco fábricas da GM no Brasil, três produzem veículos (São Caetano do Sul, São José dos Campos e Gravataí) e duas componentes (Mogi das Cruzes e Joinville).

No início do ano, o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, anunciou investimentos de R$ 4,5 bilhões em três dessas fábricas (São Caetano, Gravataí e Joinville) e o lançamento de 20 veículos nos próximos quatro anos, boa parte para produção local. Essas unidades operam hoje em dois a três turnos. O aporte faz parte de um plano total de R$ 13 bilhões previstos entre 2014 e 2019. O anúncio de um novo plano para os cinco anos seguintes está sendo prometido há vários meses.

A fábrica de São José dos Campos, que não foi contemplada nesse programa, opera em apenas um turno nas linhas de produção do SUV Traiblazer e da picape S10 e em dois turnos nas plantas de motores e transmissões. Só a linha de motores a diesel trabalha em três turnos.

“Para o novo plano, vamos negociar o investimento de R$ 2,5 bilhões que a GM prometeu desde 2013 e não cumpriu”, disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Renato de Almeida. Segundo ele, a unidade “é lucrativa, tem mão de obra qualificada e está em uma região privilegiada em termos de logística”. / CLEIDE SILVA, COM REUTERS

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