Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Gol e Avianca criam holding que controlará as duas empresas e terá fatias na Sky Airline e na Viva

Negócio deve permitir que Gol reduza seus custos operacionais e ofereça a passageiros maior opção de voos internacionais

Luciana Dyniewicz e Juliana Estigarríbia, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2022 | 09h44
Atualizado 11 de maio de 2022 | 19h13

Correções: 11/05/2022 | 19h13

Ainda em meio à maior crise da história da aviação, as companhias aéreas Gol, do Brasil, e Avianca, da Colômbia, anunciaram, nesta quarta-feira, 11, a criação uma holding, o Grupo Abra, que vai controlar as duas empresas. O novo grupo também terá participação na Viva, da Colômbia, e na Sky Airline, do Chile. O acordo – que ainda precisa ser aprovado pelos órgãos reguladores – deve ajudar as empresas a reduzirem seus custos em um momento em que o setor sofre com a ressaca da crise da covid-19 e com a alta do preço do combustível.

O novo grupo, com sede no Reino Unido, terá capital fechado. Investidores (sobretudo o fundo Elliot, segundo apurou o Estadão) se comprometeram a injetar até US$ 350 milhões em ações da holding, garantindo liquidez ao grupo. Apesar do negócio, tanto a Gol como a Avianca continuarão operando separadamente.

De acordo com fontes, ainda não há uma definição se a Gol permanecerá listada na B3. A família Constantino, controladora da empresa brasileira, terá uma participação maior no novo grupo, apurou o Estadão.

O acordo entre as empresas vem em um momento em que a Gol ainda se recupera da crise gerada pela pandemia. Hoje, o valor de mercado da companhia equivale a 38% do valor pré-pandemia, e analistas vinham preferindo os papéis da Azul, em detrimento aos da empresa da família Constantino.

A notícia da transação dividiu o mercado entre analistas que consideram a união entre as empresas positiva para a Gol e entre aqueles que afirmam que o efeito é neutro. As ações da empresa fecharam em queda de 1,67%, acompanhando a tendência para as aéreas diante da desvalorização do real.

Analistas do Goldman Sachs e do Bradesco BBI classificaram a notícia como “positiva” para a Gol, pois a empresa pode ganhar com sinergias no planejamento de rotas, ofertas de produtos e programas de fidelidade. Já o analista Pedro Bruno, da XP, classificou o negócio como “neutro” para a empresa brasileira. “É um acordo exclusivamente entre grupos controladores de empresas aéreas. Eventualmente, pode ser positivo no sentido de criação de sinergias. Mas isso ainda é algo a ser avaliado”, disse. 

Para o especialista em aviação André Castellini, da consultoria Bain & Company, a principal vantagem da transação para a Gol será a sinergia na conexão de malhas. Os passageiros da empresa terão mais opções de voos para fora do País.

Castellini diz não acreditar que o impacto será grande para as concorrentes. Mas, entre Azul e Latam, a segunda deverá sofrer um pouco mais, dado também tem como um de seus diferenciais a oferta de voos internacionais. "Mas a Latam ainda terá a vantagem de ter mais voos diretos", afirma o consultor.

Os analistas Stephen Trent e Filipe Nielsen, do Citi, destacaram que o movimento pode desencadear outras operações de fusão ou ampliação de participação no continente. Hoje, a American Airlines tem uma fatia de 5,2% na Gol, enquanto a United Airlines possui 8% da Azul. “Pode ser interessante ver se esses desenvolvimentos aumentam a urgência de a United alcançar um acordo semelhante com a Azul”, escreveram em relatório. 

Posições de comando

O salvadorenho Roberto Kriete, acionista da Avianca, será o presidente do conselho do novo grupo. Kriete era dono da Taca e foi responsável pela fusão da empresa com a Avianca em 2009. Ele também fundou a mexicana Volaris em 2006. Constantino de Oliveira Junior, da Gol, será o presidente executivo do grupo.

Adrian Neuhauser, atual presidente da Avianca, e Richard Lark, atual diretor financeiro da Gol, serão co-presidentes do grupo, enquanto mantêm suas atuais funções nas companhias aéreas. Paulo Kakinoff, presidente da Gol, continuará na companhia aérea, segundo fontes de mercado.

Em uma gravação de áudio divulgada à imprensa, Constantino afirmou que, com a transação, haverá a possibilidade de reduzição dos preços dos bilhetes aéresos.  “Os clientes vão se beneficiar das tarifas e voos mais frequentes. Fornecedores, lessores e outros parceiros também vão se beneficiar com a manutenção das marcas independentes”, disse. “Introduzi o modelo de baixo custo na América Latina. Um dos nossos grandes impulsos para criar a Abra foi o desejo de criar o modelo de baixo custo na América Latina."

Correções
11/05/2022 | 19h13

Diferentemente do divulgado no portal do Estadão e nesta reportagem, Gol e Avianca anunciaram a criação de uma holding que controlará empresas, e não uma fusão

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