Werther Santana/ Estadão - 26/7/2018
Novas legislações exigem carros cada vez mais seguros e com menor emissão de CO2 Werther Santana/ Estadão - 26/7/2018

Gol deixará de ser fabricado no Brasil depois de 41 anos e terá substituto mais caro

Volkswagen vai lançar novo carro de entrada para substituir um de seus maiores ícones no mercado brasileiro; modelo não acompanha as novas exigências de segurança e emissão de poluentes, diz montadora

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2021 | 18h48

Um dos maiores ícones da Volkswagen junto com o Fusca e a Kombi, o Gol deixará de ser produzido no Brasil no fim do próximo ano. Assim como os dois modelos históricos da Volkswagen, o Gol também sai de linha por não ter condição de acompanhar as renovações exigidas pelo mercado automotivo e pelas novas legislações que determinam carros cada vez mais seguros e menos poluentes.

O modelo produzido no Brasil há 41 anos em diferentes versões será substituído, a partir de 2023, pelo Polo Track - uma versão diferente do Polo atual - que passará a ser o carro de entrada (o mais barato) da marca. Com novas tecnologias agregadas, contudo, o preço será superior ao do Gol quando sair de linha.  

Em sua trajetória, o Gol foi líder de vendas por quase 30 anos e o modelo mais exportado pela fabricante.

O Gol hoje custa de R$ 67,8 mil a R$ 83,4 mil e a maior parte das vendas é direcionada a frotistas e locadoras. “As novas legislações exigem carros cada vez mais seguros e com menor emissão de CO2”, afirma o presidente da Volkswagen América Latina, Pablo Di Si.

Um dos equipamentos que passará a ser obrigatório em todos os novos carros, a partir de janeiro de 2024, é o controle de estabilidade (ESC). A Kombi saiu de linha porque não tinha condições de receber airbags.

O fim da produção do modelo já vinha sendo alardeada pelo mercado, mas a confirmação e a data foram confirmadas nesta sexta-feira, 5, por Di Si durante a apresentação do novo plano de investimento da marca na região, de R$ 7 bilhões entre 2022 e 2026.

A empresa não informa, porém, se poderá usar o nome Gol para outro modelo da nova família que se inicia com o Polo Track, a ser produzido na fábrica de Taubaté (SP), onde hoje são feitos o hatch Gol e o sedã Voyage.

De janeiro a outubro foram vendidas 51.035 unidades do Gol, volume que o coloca como o oitavo automóvel mais comercializado no País e o mais bem colocado da Volkswagen no ranking. Logo na sequência vem o T-Cross, com 51.008 unidades.

Segmento em queda

O segmento de carros compactos de entrada é um dos que mais perdeu participação em vendas no mercado brasileiro nos últimos anos. Em parte porque a maioria das empresas deixou de lançar produtos nesse segmento, por ser de baixa rentabilidade, e passou a focar principalmente nos utilitários-esportivos (SUV), hoje líderes em venda.

A própria Volkswagen lançou cinco SUVs no ciclo anterior de investimentos, também de R$ 7 bilhões, dos quais dois – Nivus e T-Cross – são produzidos no Brasil e o Taos, na Argentina.

"É verdade que o gosto do consumidor está indo mais para os SUVs, o que não significa que o segmento de entrada vai desaparecer”, afirma Di Si. “Vai ter uma participação menor, mas ainda assim interessante.”

O segmento de SUVs, com bem mais retorno financeiro às fabricantes, teve vendas de 540,9 mil unidades neste ano (até outubro), o equivalente a 42,4% de todos os automóveis vendidos no País. Já o segmento de entrada vendeu 178,4 mil unidades, ou 14% do total.

 

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Volkswagen anuncia investimento R$ 7 bilhões na América Latina, a maior parte no Brasil

Valor, que engloba aportes até 2026, é igual ao ciclo iniciado em 2017 e será aplicado em novos veículos, desenvolvimento de negócios digitais e pesquisas sobre biocombustíveis

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2021 | 13h40
Atualizado 10 de novembro de 2021 | 15h41

A Volkswagen informou nesta sexta-feira, 5, que vai investir R$ 7 bilhões na América Latina entre 2022 e 2026. O valor é o mesmo ao do ciclo anterior, que se encerra neste ano. O montante inclui o lançamento de uma nova família de veículos, incluindo um carro compacto, o desenvolvimento de negócios digitais e a expansão de pesquisas sobre biocombustíveis, tendo como foco o uso do etanol como ponte até a chegada da eletrificação de veículos no País.

A maior parte será direcionada ao Brasil, informou Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América Latina, sem revelar a divisão de valores entre o País e a Argentina, onde o grupo tem fábricas.

Segundo ele, pela primeira vez em “muitos, muitos anos”, a operação terá resultados positivos na região este ano, mesmo com os problemas enfrentados com a falta de semicondutores e queda de vendas em razão da pandemia. Atualmente, a fábrica de São Bernardo do Campo (SP) opera com apenas um turno de trabalho e 1,5 mil operários estão em lay-off por até cinco meses.

O primeiro carro da nova família, o Polo Track, será feito em Taubaté (SP). Será o modelo de entrada da marca (o mais barato) e diferente do atual Polo. Vai ser lançado em 2023 e substituirá o Gol, um dos ícones da marca, junto com Fusca e Kombi, em produção há 41 anos.

 “A nova legislação exige carros cada vez mais seguros e com menor emissão de CO2”, lembrou Di Si, o que aumentará o custo do produto e o preço final ao consumidor. Um dos itens que passará a ser obrigatório a partir de janeiro de 2024, por exemplo, é o controle de estabilidade (ESC). “Os carros compactos terão mais conteúdo e o custo será maior”, avisou.

Di Si afirmou ainda que todo o investimento virá de captações locais, parte com empréstimos de bancos privados e parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com quem a Volkswagen assinou nesta semana acordo para ações de descarbonização da frota do Brasil, apoio à inovação, desenvolvimento da cadeia produtiva, inserção internacional e aperfeiçoamento de instrumentos financeiros. 

O anúncio do novo ciclo de investimentos foi feito em entrevista virtual com jornalistas. O presidente global da Volkswagen, Ralf Brandstätter, que participaria da conversa, precisou se ausentar. Em nota, disse que o grupo tem demonstrado na América Latina que pode ser lucrativo, apesar de enfrentar um mercado menor e condições desafiadoras. “Vamos continuar a investir em projetos específicos que assegurem a lucratividade sustentável da empresa.”

Sobre o centro de pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis, disse que o bioetanol é “um significativo complemento regional à nossa estratégia elétrica, porque reduz as emissões de carbono em até 90% comparado à gasolina. É um excelente exemplo de pense globalmente e aja localmente.”

 

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