Fábio Motta/Estadão
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Gol foca em executivos e lança serviço wi-fi

Parte das opções do serviço de bordo, que inclui TV ao vivo, pay-per-view e jogos, será paga; companhia planeja implementar mudança em voos domésticos e internacionais até 2018

Luciana Collet, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2015 | 09h40

A Gol realiza nesta segunda-feira, 15, o lançamento de um serviço de conexão wi-fi para internet, via satélite, com o qual pretende atrair o cliente de perfil corporativo, que garante uma maior rentabilidade para a companhia aérea, além de uma alternativa de obter receitas adicionais, uma vez que parte das opções será paga.

Segundo o presidente da empresa, Paulo Sérgio Kakinoff, a companhia estuda esse serviço há cerca de um ano e meio e a decisão de investimento - em valor não divulgado - levou em consideração a necessidade de alcançar um patamar conservador de receita para alcançar um ponto de equilíbrio para a solução. "Será uma fonte extra de receita e precisamos alcançar patamar conservador de plataforma paga para alcançar break-even (equilíbrio), esse porcentual, posso assegurar, não é elevado", disse, acrescentando que o potencial de receitas adicionais é interessante. Ele não revelou qual montante de receita adicional que a companhia está estimando em termos absolutos.

A Gol afirma ser a primeira aérea da América Latina a anunciar esse serviço. Segundo o diretor de Produto da Gol, Paulo Miranda, o serviço estará disponível em todos os voos da companhia, domésticos e internacionais e inclui, além do acesso à internet, outras soluções de entretenimento como TV ao vivo, pay-per-view e jogos, além do mapa de voo.

A expectativa é que esteja completamente implementado, para suas 140 aeronaves, até 2018, sendo que a primeira aeronave equipada com a tecnologia deve estar em operação no primeiro semestre do ano que vem.

Ele admitiu que a falta de alternativas de entretenimento nos voos da companhia foi um fator relevante para a implementação da solução. "A falta de entretenimento sempre foi apontada pelos nossos clientes como um item a ser melhorado", disse, ponderando que o foco é o wi-fi, que permite aos cerca de 55% de passageiros corporativos sigam conectados e trabalhando durante os voos. Kakinoff acrescentou que a Gol também anunciará outras novidades para o novo desenho de seu produto ao longo do ano.

Crise. Questionado sobre o atual comportamento da demanda doméstica, Kakinoff evitou dar detalhes sobre os atuais registros da companhia, mas disse que "o momento de dificuldade econômica tem reflexo da demanda" por passagens aéreas. Neste início de ano, as empresas observaram uma queda do tráfego de clientes corporativos, que garantem maior rentabilidade, e procuravam compensar o movimento com promoções nas tarifas visando atrair passageiros que viajam a lazer. Em abril, a Gol registrou alta de 4,3% na demanda doméstica, dado mais recente disponível.

Aviação Regional. Kakinoff disse ainda que nenhuma decisão foi tomada sobre a potencial compra de novas aeronaves que atendam o segmento regional e indicou que não há um prazo para bater o martelo. "Continuamos olhando as opções e avaliando cenários de frota", disse, salientando o desafio de definir um plano em um momento de alta volatilidade do mercado.

Ele reiterou informação de novembro do ano passado de que a companhia estabeleceu conversas com a Embraer, ATR e Bombardier para uma eventual introdução de frota complementar, mais adaptada às rotas de menor densidade do mercado regional. Atualmente a Gol opera exclusivamente com aeronaves da Boeing.

Relações com a Boeing. A implementação dos novos serviços exigirá a adaptação das aeronaves em operação e a introdução de nova tecnologia nos futuros aviões já encomendados à Boeing. Kakinoff destacou que contará com o apoio da fabricante nesse processo, o que fortalecerá o relacionamento entre as empresas. O plano da companhia é ter 100% de sua frota com a solução de internet e entretenimento a bordo até 2018.

O executivo negou, porém, que a introdução da nova tecnologia e o estreitamento do relacionamento com a Boeing possa dificultar a parceria com uma outra fabricante. "Facilmente, um outro fornecedor incorporaria a solução (de Wi-Fi e entretenimento a bordo) nas novas aeronaves, isso não é uma dificuldade", disse.


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