Fábio Motta/Estadão
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Gol prevê aumento de gasto com combustível e redução de receita; prejuízo em 2021 foi de R$ 7,2 bi

A companhia aérea também apontou que seu lucro por ação deve ficar próximo a zero, ante R$ 0,26 anteriormente

Luísa Laval e Juliana Estigarríbia, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2022 | 12h27

A companhia aérea Gol atualizou nesta segunda-feira, 14, suas projeções financeiras para o ano de 2022, reduzindo a perspectiva de receita líquida total de R$ 14 bilhões para R$ 13,7 bilhões. A empresa passou a estimar 1,2 bilhão de litros de combustível consumidos, ante 1,295 bilhões anteriormente. A projeção de preço de R$ 3,8 por litro pasou para R$ 4,3 por litro.

A Gol manteve inalterada as estimativas de taxa de ocupação média (82%) e de carga e outras receitas (R$ 800 milhões). Entre dados operacionais, a frota total média deve ficar entre 130 e 140, ante o piso anterior de 135. Já a sua perspectiva de margem Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi reduzida de 25% para 24%. 

A companhia aérea também apontou que seu lucro por ação deve ficar próximo a zero, ante R$ 0,26 anteriormente. Ao mesmo tempo, a Gol elevou a perspectiva de alavancagem (nível de endividamento para aumentar o retorno) de 7 vezes para 8 vezes em 2022. 

A perspectiva positiva da Gol ficou por conta da estimativa de emissão de poluentes. A empresa diminuiu sua projeção de emissões globais brutas do escopo 1 de 3,289 milhões de toneladas de CO2 para 3,060 milhões no ano de 2022.

Resultados

No balanço do quarto trimestre de 2021, a Gol reportou nesta segunda-feira prejuízo líquido acumulado de R$ 7,2 bilhões em 2021, ante resultado negativo de R$ 5,9 bilhões no ano anterior. O Ebitda ajustado alcançou R$ 2 bilhões no ano passado, queda de 15,2% sobre 2020. Com isso, a margem Ebitda ajustada foi de 28,2% no ano, queda de 10,5 pontos porcentuais na mesma base de comparação. A receita operacional líquida acumulada em 2021 foi de R$ 7,4 bilhões, alta de 16,7% sobre 2020.

O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, disse nesta segunda-feira que o calendário de oferta de novas rotas permanece inalterado em meio ao aumento expressivo dos preços do petróleo no mercado internacional. “A empresa sempre foi mais conservadora na questão da oferta, por isso temos sido menos suscetíveis a variações. O conservadorismo vem da percepção de volatilidade no mercado, o mundo ainda está vivendo os últimos minutos de pandemia, com instabilidade econômica, temos sido muito disciplinados e conservadores na capacidade”, afirmou.

A Gol mantém uma média diária de voos de aproximadamente 500 por dia, sem grande variação sobre o que a companhia havia informado anteriormente. “Estamos na baixa temporada entre o Carnaval e as férias de julho, não mudamos nosso planejamento, estamos vivendo a sazonalidade.”

Segundo Kakinoff, a retomada do internacional deve ocorrer em maio com 4 voos por semana na rota Brasília-Flórida, passando para frequência diária a partir de julho. “O mercado internacional está muito distante de retomar patamares pré-pandemia, ainda vai levar algum tempo para a retomada, mas no segundo semestre a oferta será maior desses destinos mais de longa distância.”

Combustível

Como consequência da guerra entre Rússia e Ucrânia, a alta de preços de combustíveis obrigará as companhias aéreas a aumentar preços de passagens. A Latam foi a primeira a admitir que terá de aumentar os preços cobrados dos consumidores. Historicamente, companhias aéreas têm margens apertadas de lucro. Por isso, com a redução de viagens, algumas rotas podem se tornar comercialmente inviáveis.

“Algumas companhias americanas estão lidando com aumento de 70% dos custos com combustível, no Brasil a alta foi menos que a metade disso, a apreciação do real compensou um pouco esse aumento bruto do petróleo”, disse o  diretor vice-presidente financeiro e diretor de RI da Gol, Richard Lark.

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