Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Gol reverte prejuízo e registra lucro de R$ 757,1 milhões no 1º trimestre

Empresa explica que o resultado é reflexo da variação cambial sobre os passivos financeiros em dólar devido à valorização do real

Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 09h44

SÃO PAULO - A Gol registrou lucro líquido de R$ 757,1 milhões no primeiro trimestre de 2016, revertendo o prejuízo líquido de R$ 672,7 milhões apurado no mesmo intervalo de 2015. No relatório de resultados, a Gol explica que o resultado é reflexo da variação cambial sobre os passivos financeiros em dólar devido à valorização do real em 31 de março versus 31 de dezembro de 2015, além dos ganhos não recorrentes referentes ao retorno de aeronaves em arrendamento financeiro e a transações de sale-leaseback.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização, depreciação e custos de reestruturação) fechou o trimestre em R$ 875,8 milhões, alta de 86,8% em relação aos R$ 468,9 milhões do mesmo período de 2015. A margem Ebitdar ficou em 32,3% ante 18,7% há um ano. Já o Ebitdar ajustado, que exclui o ganho não recorrente com o retorno antecipado de aeronaves em arrendamento financeiro e com operações de sale-leaseback, somou R$ 663,2 milhões entre janeiro e março de 2016, alta de 43,9% na base anual - a margem Ebitdar ajustada passou de 18,4% para 24,4%.

A margem líquida ficou em 27,9% nos primeiros três meses deste ano, ante margem líquida negativa de 26,9% há um ano. A receita operacional líquida da companhia aérea ficou em R$ 2,713 bilhões entre janeiro e março, crescimento de 8,3% ante os R$ 2,505 bilhões do mesmo intervalo de 2015. O resultado financeiro líquido no trimestre ficou positivo em R$ 386,2 milhões - nos primeiros três meses de 2015, o resultado financeiro foi negativo em R$ 866,6 milhões. 

Dívida. Ao final de março, a Gol registrava um total de empréstimos e financiamentos de R$ 7,867 bilhões, o que representa uma queda de 15,5% ante o quarto trimestre de 2015. Desse montante, R$ 836,7 milhões são dívidas de curto prazo e R$ 7,031 bilhões possuem vencimento no longo prazo. A Gol ainda informa que 85,8% da dívida bruta estava denominada em moeda estrangeira no fim do trimestre.

Já a dívida bruta ajustada, que considera a dívida somada às despesas de leasings operacionais dos últimos 12 meses multiplicadas por 7, chegou a R$ 16,332 bilhões em março, cifra 4% inferior à de dezembro do ano passado.

A dívida líquida, por sua vez, somava R$ 6,052 bilhões no fim do primeiro trimestre desse ano, montante 13,6% menor do que o verificado no fim de 2015. A dívida líquida ajustada atingiu R$ 14,517 bilhões, retração de 1,3% ante o fim do último trimestre de 2015.

Frota. A Gol encerrou o primeiro trimestre de 2016 com uma frota de 143 aeronaves Boeing 737-NG, uma redução de uma unidade em relação ao quarto trimestre de 2015. Segundo a empresa, 104 aeronaves estão em regime de arrendamento operacional e outras 39 em regime de arrendamento financeiro - dessas, um total de 35 possuem opções para compra ao final do contrato.

A idade média da frota total era de 7,7 anos ao final de dezembro. "Para manter a média nesse nível baixo, a companhia possui 122 pedidos firmes para aquisição de aeronaves Boeing para renovação da frota até 2027", afirma a companhia, no release de resultados. A Gol ainda informa que, segundo seu plano de frota, pretende encerrar o ano de 2016 com 125 aeronaves. 

O presidente da empresa, Paulo Kakinoff, afirmou que o guidance da companhia para a redução da oferta de voos, total de assentos e volume de decolagens total em 2016 está mantido. No entanto, quando questionado se cortes mais agressivos poderiam ser colocados em prática ao longo do ano, o executivo afirmou que esse cenário "é possível".

"Estamos atentos e podemos alterar o número no curto prazo, mas, por enquanto, mantemos as projeções", disse o executivo. A Gol estima um corte na oferta total, medida em ASK, entre 5% e 8% em 2016 em relação aos níveis de 2015. Já as projeções para a redução no total de assentos disponíveis e no volume de decolagens total estão na faixa de entre 15% e 18% de corte ante o patamar do ano passado.

"No momento, o guidance que colocamos é o que julgamos adequado para endereçar a desaceleração da demanda", disse Kakinoff. "Nesse primeiro trimestre, começamos a ter os primeiros sinais da efetividade da nossa estratégia, que é o aumento no yield".

O yield líquido da Gol, isto é, o valor médio pago por um passageiro para voar um quilômetro, ficou em 25,68 centavos de real no primeiro trimestre desse ano, uma alta de 17,3% em relação ao mesmo período do ano passado e de 4,2% ante o quarto trimestre de 2015. Já o PRASK líquido, ou seja, a receita de passageiros dividida pelo total deassentos-quilômetro disponíveis, ficou em 19,89 centavos de real, alta de 16,4% na base anual e de 7% na base trimestral.

"Acreditamos que, no momento, essa porcentagem de corte que apresentamos no guidance é forte, e, se olharmos o corte no número de assentos, é significativamente superior ao que outras empresas estão fazendo", afirmou o executivo. "Acho que é positivo a Gol liderar esse movimento de corte, uma redução de 15% a 18% é seguramente a mais forte já feita por uma companhia aérea no mercado brasileiro".

Kakinoff ainda destacou que a demanda por voos tem apresentado um comportamento "errático", ressaltando que o segundo trimestre costuma ser o com maiores desafios para as companhias aéreas, uma vez que a demanda por voos a lazer tende a diminuir. "A demanda de agentes de negócios costuma crescer, mas, nesse cenário econômico, é improvável que aconteça". Em função dessas perspectivas, o presidente da Gol afirmou que a manutenção da taxa de ocupação nos atuais patamares "é possível, mas muito desafiadora"

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