Fábio Motta/Estadão
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Crise faz Gol registrar prejuízo de R$ 354,9 mi no 2º trimestre

Companhia aérea teve resultado negativo quase 145% maior do que o visto no mesmo período do ano passado; presidente aponta inflação e alta do dólar como fatores que pesaram no balanço

Beth Moreira, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 07h32

A Gol Linhas Aéreas encerrou o segundo trimestre de 2015 com prejuízo de R$ 354,9 milhões, um aumento de 144,8% ante o prejuízo registrado em igual período do ano passado, de R$ 145 milhões.

O presidente da companhia, Paulo Kakinoff, em mensagem da administração, atribuiu o resultado ao cenário desafiador pelo qual passa a economia do País. O executivo destaca a desvalorização do real frente ao dólar em 40,9% na comparação com o mesmo período de 2014, e a inflação que registra 9,56% no acumulado dos últimos 12 meses.

O prejuízo operacional (Ebit) apurado entre abril e junho foi de R$ 251,1 milhões, com margem operacional negativa de 11,8%, o que representa uma interrupção de nove trimestres de evolução consecutivos da companhia. No mesmo período de 2014, a Gol apresentou lucro operacional de R$ 37,8 milhões com margem operacional de 1,6%.

O Ebitdar (lucro operacional antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações somado ao valor dos custos operacionais com arrendamento mercantil de aeronaves e com arrendamento suplementar de aeronaves) atingiu R$ 90,7 milhões entre abril e junho, montante 75,8% inferior ao apurado um ano antes. A margem Ebitdar caiu 11,5 pontos porcentuais para 4,3%.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ficou negativo em R$ 153,7 milhões, ante Ebitda positivo de R$ 162,2 milhões registrado no mesmo intervalo do ano passado. A margem Ebitda ficou negativa de 7,2% entre abril e junho ante margem Ebitda positiva de 6,8% apurado no mesmo intervalo de 2014.

A receita líquida total no segundo trimestre ficou em R$ 2,131 bilhões, com queda de 10,5% ante igual período do ano passado.

O resultado financeiro líquido ficou positivo em R$ 16,5 milhões, ante R$ 105,7 milhões negativos do segundo trimestre de 2014. A melhora deve-se, principalmente, pela variação cambial líquida de R$ 205,6 milhões em decorrência da valorização do real frente ao dólar. 

A Gol encerrou o segundo trimestre de 2015 com uma frota de 142 aeronaves de Boeings 737-NG, das quais 134 operando em suas rotas. Das oito remanescentes, uma está em processo de devolução junto ao seu lessor e sete foram enviadas via sub-leasing para outras companhias aéreas europeias.

Demanda fraca. A receita de passageiros da Gol registrou retração de 13,4% no segundo trimestre de 2015, ante igual período do ano passado e representou 86,7% da receita líquida total da empresa, de R$ 2,131 bilhões.

Em seu informe de resultados a empresa explica que a queda se deve à menor atividade da economia e consequente menor volume de passageiros corporativos.

A receita de passageiros internacional atingiu R$ 182,6 milhões entre abril e junho, equivalente a 8,6% da receita total da companhia.

A receita líquida de cargas e outros foi de R$ 284,3 milhões, representando 13,3% das receitas totais e um crescimento de 13,8% ante o segundo trimestre de 2014.

As despesas operacionais e custos operacionais totalizaram R$ 2,380 bilhões, um aumento de 1,6% ante o registrado um ano antes, impactada pela queda do preço do QAV. Excluindo a linha de combustível, as despesas totalizaram R$ 1,559 bilhões, o que representa um aumento de 8,7% frente a 2014. A despesa por Ask (Cask) foi de 20,06 centavos de real, praticamente em linha com o período anterior. 


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