Goldman Sachs tem queda de 72% no lucro do 1º trimestre

Banco norte-americano alertou que tem poucas oportunidades de fazer dinheiro no ambiente atual

Reuters,

19 de abril de 2011 | 13h01

O Goldman Sachs teve queda de 72% no lucro trimestral com redução na receita com negociações para clientes, e o banco alertou que tem poucas oportunidades de fazer dinheiro no ambiente atual.

Apesar disso, o resultado do primeiro trimestre veio mais forte do que muitos analistas estavam esperando. Mas, com o Goldman mostrando cautela sobre o futuro de seus lucros, as ações da instituição financeira apresentavam desvalorização.

O maior banco de investimentos dos Estados Unidos teve receita total 7% menor no primeiro trimestre. O faturamento com negociações para clientes, importante para o lucro, caiu 22%.

O Goldman enfrenta pressão de reguladores para muitos de seus principais negócios. A reforma das leis financeiras dos EUA limita a habilidade dos bancos de negociarem por conta própria, o que deve afetar a lucratividade do Goldman com corretagem. A pressão regulatória para que muitos tipos de negociação de derivativos migrem para plataformas de bolsas também ameaça o futuro dos lucros.

Quando o banco divulgou lucro 53% menor para o quarto trimestre e falou sobre como o volume de negociação para clientes em dezembro estava fraco, muitos investidores temeram que o Goldman teria problemas reais de lucratividade no futuro.

Nesta terça-feira, o banco disse que a receita com negociação para clientes subiu 83% no primeiro trimestre contra o quarto trimestre, apesar da queda na comparação anual. Mas em teleconferência com investidores e analistas, executivos do banco ressaltaram as dificuldades com o futuro.

Os clientes do Goldman ainda estão cautelosos, dada a situação econômica e regulatória, e o banco ainda vê um clima incerto, disse o vice-presidente financeiro da instituição, David Viniar.

O banco teve lucro atribuível às ações ordinárias de US$ 908 milhões, ou US$ 1,56 por ação. Analistas esperavam, em média, US$ 0,82 por ação, de acordo com a Thomson Reuters I/B/E/S.

O Goldman recomprou no trimestre US$ 5 bilhões em ações preferenciais da Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett, resultando em encargo especial de US$ 1,64 bilhão.

Excluindo o efeito desse encargo, o lucro do banco foi de US$ 4,38 por ação. Um ano antes, o Goldman reportou lucro de US$ 3,3 bilhões, ou US$ 5,59 por ação.

A receita com renda fixa, câmbio e commodities recuou 28%. No ano passado, os resultados nessas atividades foram especialmente fortes.

O Goldman separou US$ 5,23 bilhões para compensação de empregados no trimestre, queda de 5% contra um ano antes.

As ações do banco caíam 1,5% por volta das 12h30 (horário de Brasília) na Bolsa de Valores de Nova York.

(Por Lauren LaCapra e Dan Wilchins. Reportagem adicional de Angela Moon)

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